Alternativa de rejoneador em corrida de gala à antiga portuguesa realizada em Espanha? Está tudo doido, ou quê? Bem, há coisas que não lembrariam nem ao diabo, mas, vá lá saber-se porquê, até lembram a pessoas que deveriam ter mais responsabilidade na Festa e, sobretudo, pugnarem pela defesa das nossas tradições taurinas.

Em Mérida teve lugar no passado dia 1 de Setembro uma inédita corrida de gala à antiga portuguesa, com a participação dos rejoneadores Diego Ventura e Leonardo Hernández, que concederam a alternativa de rejoneador ao cavaleiro tauromáquico Filipe Gonçalves, que se apresentou trajado de casaca e tricórnio!!! Isto é anedótico! E, claro, como não poderia deixar de ser, actuou um Grupo de Forcados Amadores, na circunstância, o de Alcochete. Lidaram-se toiros de D. Luís Terrón. Artisticamente o espectáculo foi interessante, especialmente pelo desempenho de Ventura e de Hernández, que conquistaram facilmente o público e os apêndices, enquanto o novel rejoneador Filipe Gonçalves andou em plano de muita discrição.

A pergunta que fica no ar é se atingimos um ponto em que já vale de tudo e se não há um mínimo de dignidade nas atitudes que se tomam. O consagrado matador de toiros Paco Ojeda veio a Santarém tomar a alternativa de cavaleiro tauromáquico e, ao menos por uma vez, usou casaca e tricórnio. Filipe Gonçalves tem todo o direito de querer ser rejoneador, mas, para tal, deve apresentar-se de curto, do mesmo modo que não deve alguém tomar a alternativa de rejoneador numa corrida à portuguesa, porque em Portugal ainda não há Rejoneadores.

Enfim, como dizem as pessoas mais antigas, para o fim do mundo vemos de tudo… E é bem verdade!