Mário Marcos faz teatro há 45 anos. O Veto tem sido a sua casa e o Correio do Ribatejo o seu Jornal que assina há 41.

Foi Virgílio Arruda na idade adulta, na peça que o Círculo Cultural Scalabitano levou à cena pelo aniversário deste Jornal.

Foi difícil para si encarnar a personagem de Virgílio Arruda na peça?

Não só não foi difícil, como foi para mim uma honra interpretar a figura do Dr. Virgílio Arruda, personalidade marcante de Santarém. Menos fácil foi o exercício de memorização. Tudo colocado em equação resultou num grande e belo desafio.

Como se preparou para desempenhar o papel?

A caracterização da personagem de Dr. Virgílio Arruda e sua vivência entre os anos 1969 e 1975 não foi fácil, sobretudo devido ao pouco tempo de trabalho para montagem da peça.

Mas com entrega e dedicação atingiu-se o objectivo proposto pela encenação. A memorização do conhecimento pessoal que tive de Virgílio Arruda, com relevância para a gestualidade e o falar elegante e pausado; o mesmo conhecimento de Virgílio Arruda de parte do encenador, e as frequentes conversas que mantivemos, com concordâncias e discordâncias, facilitaram a interiorização e aparecimento do pretendido.

Sem pretensões, em pouco tempo praticámos um pouco de Stanislavski.

Dos dois habituais e semanais ensaios, passamos para três e quatro. Na semana que antecedeu a estreia, o trabalho foi diário. Em casa o texto do espectáculo, dia, tarde e noite, foi meu companheiro obrigatório. Todos os colegas do Veto e os meus 45 anos de teatro muito ajudaram.

Que cena elege como mais marcante?

Quase todas as cenas são de um grande significado histórico e de relevância da nossa vida comum, no entanto a cena do “Julgamento Político” tem uma carga emocional e política, tornando-se arrebatadora.

Como começou a sua paixão pelo Teatro?

Os alunos finalistas da Escola Industrial e Comercial de Santarém promoviam sempre a sua récita. O encanto pela magia do Teatro foi muito forte e em 1972 ofereci-me para participar na peça “Sopa Juliana”. O Encenador era já o Zé Ramos, que gostou da minha prestação, acarinhando-me e convidando-me para ingressar no Veto, marcando, para sempre, de forma apaixonante, a minha vida.

É leitor do Correio do Ribatejo. Recorda-se do primeiro contacto que teve com o Jornal?

Desde muito jovem que me habituei a ler o Correio do Ribatejo, em casa dos meus Padrinhos.

Continuei a manter esse bom hábito, no inicio da minha vida profissional, até que em 1976 me fiz assinante, já lá vão 41 anos. A ânsia do conhecimento e a constante busca de informação sobre a minha Santarém foram determinantes.

Numa frase, defina o que representam para si os 126 Anos deste Jornal?

A história do Correio do Ribatejo é o repositório das vivências de Santarém, da Província do Ribatejo e das suas gentes!

Se tivesse de entrar num filme, que género preferiria?

Tenho grande apetência pelos géneros, histórico, ou de humor mordaz e inteligente, que nos obriga a sermos espectadores atentos e com capacidade crítica.

Lema de Vida?

Se outros conseguem, também vou conseguir. As mulheres e os homens medem-se do queixo para cima.

Viagem de sonho?

À Euro Disney, com a minha mulher, filhos e netos, claro.

Prato favorito?

Decididamente, Bacalhau no forno, em cama de cebolada, acompanhando com batatinhas fritas às rodelas.

Acordo ortográfico, sim ou não?

É imperioso simplificar e aperfeiçoar. Não se fala e escreve, hoje, como no início da nacionalidade ou mesmo no tempo do nosso maior – Luís Vaz de Camões. A língua, como qualquer ciência viva, pode e deve ser evolutiva, pelo que sim!

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