Participação dos ranchos folclóricos, das juntas de freguesia, das associações de solidariedade, agrupamentos de escolas, 3 Galas internacionais, oficinas de dança, um piquenique e desfile internacional são os pontos mais salientes da 2ª edição do Festival Internacional de Folclore do Concelho de Almeirim (FIFCA), em 2010.

De 19 a 25 de Abril, estarão 5 ranchos folclóricos estrangeiros já confirmados da Polónia, Grécia, Escócia, Bulgária e Lituânia, sendo recebidos por quase todos os ranchos do concelho e em especial o rancho de Benfica do Ribatejo, que é o organizador do certame.

Esta iniciativa foi anunciada em conferência de imprensa por José Carlos Silva, vereador da Câmara Municipal e por Ricardo Casebre, responsável máximo do rancho organizador e do próprio Festival, na passada 3ª feira, tendo sido informado também que o Festival recebe apoios do município, das juntas de freguesia e de patrocinadores privados, para além do auto-financiamento do grupo organizador e daqueles que irão receber cada rancho estrangeiro, em cada freguesia.

Para esta 2ª edição, a organização prepara um Festival que é diferente dos seus congéneres nacionais e até da maioria dos Festivais no estrangeiro.

Para começar, a lógica deste Festival está a assentar nalguns rituais dos trabalhos do rio e do campo que foram recuperados para “os trabalhos e as tarefas” que são semelhantes a ambos. Com fortes ligações ao rio Tejo e também à charneca alezirada dum pedaço do Ribatejo, este Festival está ancorado nas forças vivas das 4 freguesias do concelho de Almeirim, facto pouco comum.

Porém, outros elementos singulares caracterizam este Festival:

– A envolvência concelhia efectiva dos diferentes agentes culturais e institucionais é uma das grandes mais-valias, embora seja organizado pelo rancho folclórico da freguesia rural de Benfica do Ribatejo…

– São feitas 4 Mostras Folclóricas Internacionais, por freguesia.

– Cada freguesia / rancho folclórico local (Padrinho) acolhe um rancho estrangeiro (Afilhado) e partilham vivências e usos de cada um.

– O Festival celebra também a data do 25 de Abril de 1974, em todo o concelho, como Festa da Liberdade.

– A equipa organizadora-base é constituída pelos elementos do rancho folclórico, alargada a outros colaboradores, todos voluntários, num total de cerca de 120 pessoas, para além dos cerca de 1000 colaboradores das freguesias e da população local.

– Para além dos ranchos do concelho, a iniciativa vai decorrer ainda em colaboração com os agrupamentos das escolas e as associações de solidariedade do concelho.

 – No aspecto artístico, em que existem mais condicionalismos, o FIFCA/10 conta com espectáculos dos ranchos do concelho – Benfica do Ribatejo, Raposa, Almeirim (Velhas Guardas de Casa do Povo) e Fazendas de Almeirim (Velhas Guardas, Infantil e Paço dos Negros) e, pelo menos, com os ranchos folclóricos estrangeiros referidos acima.

– Do programa constam ainda várias apresentações dos grupos estrangeiros em diversas entidades e freguesias do concelho, incluindo 3 grandes espectáculos e várias oficinas de dança estrangeira e regional ribatejana, em todas as freguesias.

Em termos de enquadramento, o Festival inova-se e estrutura-se à volta de 3 grandes ideias bebidas nas práticas culturais e etnográficas locais, como já se disse, resultado das especificidades desta comunidade que está ora ligada ao Tejo, ora ligada aos terrenos da charneca:

– Lançar as Redes (dia 22) – evocando os trabalhos dos pescadores ligados ao rio Tejo, faz-se o lançamento do Festival que tem tanto de trabalho de organização como de festa de vários usos e costumes estrangeiros e nacionais – é o arranque dos trabalhos

– Encurtar Relações (dias 23 e 24) – depois do início dos trabalhos, as tarefas passam muito pelas relações, as trocas, as permutas e parcerias que uma organização deste tipo proporciona a todas aqueles que se misturam e se cruzam para conhecer as estranhas e mútuas formas de viver dos povos do mundo, ainda hoje…

– A Adiafa (dia 25) – a festa continua até ao fim. Serão as despedidas. É o último dia dos trabalhos. A colheita está terminada e celebra-se agora com alegria a boa colheita deste ano, na esperança de que, da próxima vez, os frutos sejam ainda melhores, tal como nos campos agrícolas. Festeja-se as colheitas e o promotor da iniciativa, oferecendo a “bandeira da adiafa” e recebendo o fim da “Festa”…

São estes, em geral, os objectivos deste ano. Ambiciosos, é certo; mas que se podem cumprir dentro de uma organização mais preparada. É também uma edição para melhorar ainda a confiança e a responsabilidade de uma iniciativa recente na região. Por isso mesmo, ela está ainda sujeita a desajustes, embora estejamos perante uma organização e um concelho que tem capacidade para apresentar uma realização diferente e inovadora, de um evento marcante a nível nacional e internacional. Também por isso é necessário garantir apoio para esta iniciativa, sabendo que ela está a ultrapassar em várias vezes o seu investimento inicial, nesta região da charneca ribatejana!

São estas as grandes responsabilidades de todos os envolvidos este ano…

* Colaborador do Secretariado do Festival