A Associação Nacional de Grupos de Forcados, liderada por José Fernando Potier, parece ter sido fadada para uma certa turbulência, pois, amiúde, se vê envolvida em situações muito discutíveis, à luz da coerência que gostaria de ver aplicada. É verdade que os Cabos dos Grupos associados, que constituem a Assembleia-geral da ANGF, são soberanos nas suas decisões através da expressão dos respectivos votos, mas, não é menos verdade que a maioria dos aficionados portugueses tem uma grande dificuldade em compreender estas decisões, por, em regra serem tão contraditórias entre si, permitindo um rumor de suspeição quanto à boa-fé que deverá estar subjacente às mesmas.

Na última reunião da Assembleia-geral, que teve lugar no passado dia 23 de Março, curiosamente dirigida, ao que parece, pelo presidente da Direcção, estava em análise a admissão de seis Grupos de Forcados Amadores, porém, apenas um, o do Cartaxo, foi aprovado, tendo sido rejeitadas as admissões dos Grupos de Bencatel, de Cuba, dos Riachos, de Grândola e de Alenquer.

Naturalmente, na base destas decisões estarão razões ponderosas e objectivas, que, contudo, estão muito longe de serem consensuais, a termos em conta os resultados das diversas votações. Só que quase nunca o aficionado comum consegue perceber a natureza e o fundamento das motivações que levam alguns Cabos de Grupos associados a impedirem a admissão de outros Grupos, o que parece conflituar com o espírito estatutário da própria Associação, quando pressupõe “A defesa da Festa de toiros e do Forcado Amador como manifestação cultural autêntica do nosso povo”.

A dificuldade em compreender as razões destas rejeições abre espaço a algumas dúvidas e insinuações, o que, convenhamos, em nada abona esta instituição. Não entro por esse caminho, pois, pugno sempre por uma Festa sadia e harmoniosa, onde caibam todos quantos defendem a credibilidade e a dignificação do “mundillo” taurino, mas, duvido que seja assim.

Apesar de reconhecer o interesse na constituição de uma Associação de Grupos de Forcados, por não ignorar que há tantos e tão prementes problemas que têm de ser salvaguardados na superior defesa dos interesses dos próprios Forcados e da Festa dos Toiros, tenho alguma dificuldade em aceitar determinadas condições impostas entre os Grupos associados, designadamente, a questão dos valores a receber das empresas, para os ressarcir das despesas assumidas com as suas actuações.

Goste-se ou não se goste, há Grupos de Forcados tecnicamente melhores do que outros, da mesma maneira que há uns que têm mais prestígio e mais força de cartel do que alguns outros. Alguém duvida disto?

Tendencialmente, todos se equipararão em empenho e brio, em dedicação e em galhardia, mas só isso não chega. Como ao nível dos cavaleiros, dos matadores ou dos bandarilheiros há uns melhores do que outros. Por isso alguns actuam em mais corridas e cobram honorários mais elevados. Qual é o drama?

Porque é que, partindo deste princípio, há tanta polémica em relação aos valores que cada Grupo recebe das empresas por quem são contratados? Cada Grupo deveria ter a possibilidade de definir o valor que considera justo para as suas actuações, sendo que à ANGF competiria arrecadar um valor previamente estabelecido por cada actuação de um Grupo associado, independentemente do valor efectivamente cobrado pelo Grupo junto da Empresa que o tenha contratado. Aqui terminariam, talvez, algumas das questões controversas que inquinam a imagem da ANGF e, talvez, também o relacionamento entre os seus membros.

Não quero abordar outros assuntos, mais polémicos e mediáticos, para evitar maiores controvérsias, mas que as coisas não andam bem por estes lados, isso parece-me bem que não.

Ludgero Mendes

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