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Um funcionário da Empresa Municipal Viver Santarém cumpre hoje, o dia de greve, de pé, na escadaria do Teatro Sá da Bandeira, em Santarém, onde trabalha como recepcionista e bilheteiro.

Fernando Romão, 31 anos, natural de Santarém, explicou ao Correio do Ribatejo que se trata apenas de “exercer um direito em consciência” e “um exercício de sincronização entre o pensamento e a acção”.

Confrontado com o facto de serem poucos os funcionários públicos que escolhem o local de trabalho para exercer o direito à greve, Fernando Romão classifica a atitude que tomou como “nada de especial”.

“Quem está vivo vive o seu dia-a-dia, todos os dias, e cada dia é uma oportunidade de estar atento às coisas e de ter atitudes sobre as coisas, isto para mim é mais um dia”, explicou ao Correio do Ribatejo.

Questionado sobre se gostaria de ter a companhia de outras pessoas em greve, em particular, colegas de serviço, o funcionário do Teatro Sá da Bandeira remata: “não desejo ter companhia na greve, desejaria sim ter companhia na discussão das questões essenciais do país, isso sim”.

E sobre o facto de ter passado o dia de sexta-feira, entre as 10 e as 19 horas, de pé, acompanhado apenas de um pequeno cartaz onde se lia “Estou em greve”, preso a uma mochila pelo pin da cidade de Santarém que, nota, “uso diariamente no meu local de trabalho”, Fernando Romão deseja apenas que “cada um use os recursos que tem para pensar pela sua própria cabeça” e que tem gostado de ver as expressões de quem passa na Rua João Afonso e o vê a cumprir o seu dia de greve.

Greve deixa o país a “meio-gás”

A função pública cumpre esta sexta-feira um dia de greve contra o agravamento da austeridade. O aumento dos cortes salariais para os funcionários públicos levou os sindicatos da UGT e da CGTP a convocarem esta greve que poderá levar ao encerramento de escolas, tribunais, finanças e deixar o lixo por recolher nas ruas.

Para o secretário-geral da UGT, os trabalhadores não entendem o discurso do Governo “em relação aos números de desemprego, ou que se está a sair da crise”, porque há uma contradição com a “violência” inscrita na proposta de Orçamento do estado para 2014.

Francisco Brás, do Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL), disse à agência Lusa que a adesão à greve dos trabalhadores daquele sector é “francamente entusiasmante”.

“São várias as autarquias que se mantêm nos cem por cento, Alandroal, Amadora, Barcelos, Braga, Moita, Palmela, com grandes adesões. Vila Nova de Gaia e Famalicão com 70 por cento”, declarou.

Também nas visitas aos piquetes de greve, Francisco Brás registou lamentos dos trabalhadores, que se queixaram que é muito difícil paralisar, porque lhes custa perder um dia de salário.