O rio Tejo “está a recuperar bem” do episódio de poluição junto ao açude de Abrantes no dia 24 de Janeiro, mas os camiões continuam a fazer recolha de espuma quando tal é necessário, disse na passada sexta-feira o Ministério do Ambiente.

Em resposta a questões colocadas pela agência Lusa, o gabinete do ministro João Matos Fernandes sublinhou que “o rio está a recuperar bem”, sinal de que as medidas implementadas “estão a surtir efeito”, anunciando que “os resultados das amostras recolhidas na Celtejo serão conhecidos na próxima semana”, sem, no entanto, precisar em que dia.

Questionado sobre a localização e destino dado ao manto de espuma que se formou a jusante do açude de Abrantes, o Ministério do Ambiente indicou que a espuma recolhida por seis camiões cisterna “foi encaminhada para as Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vila Nova da Barquinha e Gavião”, a cerca de 20 quilómetros de distância, onde foi “tratada e anulada”.

A espuma que não foi possível recolher, e que se deslocou para jusante por força da corrente do rio, “dissipou-se nas águas do Tejo e do mar, ao fim de poucos dias”, acrescentou, tendo feito notar que o Ministério do Ambiente, através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), “continua a fazer a monitorização daquele troço do rio” e que “os camiões continuam a fazer recolha, quando tal é necessário, sendo certo que há dias em que já não é necessário”.

A remoção da espuma que cobriu o Tejo em Abrantes, a redução da actividade da empresa Celtejo e a retirada de sedimentos do fundo de albufeiras foram algumas das medidas anunciadas pelo Governo a 26 de Janeiro, devido à poluição registada no rio.

Na quarta-feira, dia 7 de Fevereiro, o ministro do Ambiente congratulou-se com a recuperação da qualidade da água do Tejo junto a Abrantes, que atribuiu às medidas adoptadas nos dez dias anteriores, e anunciou o reforço da remoção dos sedimentos na barragem do Fratel.

João Matos Fernandes afirmou na Golegã que, depois dos valores de oxigénio registados no passado dia 24 de Janeiro na barragem do Fratel, de 1,1 miligramas por litro (muito próximo do ponto em não é permitida vida), os 7 miligramas por litro registados na terça-feira revelam que as medidas adoptadas naqueles 10 dias fizeram “todo o sentido”.

“Neste momento temos uma qualidade da água a caminho de boa, já dentro dos padrões normais, mas os dados dizem que nesta altura do ano já deviam estar nos 9 miligramas por litro. De 1,1 temos 7, a recuperação foi muito boa e estou muito optimista com o que fizemos e com o muito que temos para fazer”, disse.

O Ministério do Ambiente anunciaria a 5 de Fevereiro o prolongamento por mais 30 dias de todas as medidas provisórias impostas à empresa Celtejo, nomeadamente a redução de 50% do volume diário de descargas de efluentes no rio Tejo.

Estas medidas agora prorrogadas, “após reavaliação, podem ainda vir a ser prolongadas por mais 30 dias, data em que se estima já poder ser passada uma nova licença para a rejeição de efluentes, com regras adaptadas à capacidade real do rio Tejo”, decidiu o Ministério do Ambiente, através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

De acordo com informação do gabinete do ministro do Ambiente, “apesar de se verificar uma melhoria nos valores de oxigénio dissolvido na água – que, ainda assim, não atingem os valores normais para a época -, a precaução obriga a que sejam mantidas as restrições já decididas por um período de 30 dias”.

Devido aos “vários constrangimentos inusitados” na amostragem realizada na Celtejo, os resultados desta empresa de celulose “são esperados na próxima semana”, informou, por sua vez, Nuno Banza, o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), situação que o Ministério do Ambiente confirmou.

Foto: LUSA/Paulo Cunha