GFA Ribatejo, em setúbalA praça de toiros do Cartaxo recebe amanhã, sábado, dia 5 de setembro, uma corrida à portuguesa promovida pela empresa “Toiros+”, com a colaboração da associação local “Gentes do Cartaxo”.

Estão anunciados os cavaleiros Rui Salvador, Gilberto Filipe e o praticante “Parreirita Cigano”, que irão lidar toiros de São Torcato, enquanto as pegas estão confiadas ao Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo.

No respectivo cartaz assinala-se que o Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo celebra nesta corrida “110 anos da sua fundação”. Não compreendo em que se baseia este Grupo de valorosos forcados para encontrar tão remota antiguidade, posto que as referências que conheço para a sua formação apontam umas para o ano de 1961 e outras para 1963, tendo sido seu primeiro Cabo Manuel da Cruz.

Pretende, porém, este Grupo ribatejano, segundo consta no site da Associação Nacional dos Grupos de Forcados – entidade que, contudo, declina a responsabilidade desta informação e não a subscreve – ter sido fundado no ano de 1905. De acordo com uma fotografia da época, este Grupo seria então capitaneado por Jaime Godinho e integravam-no, entre outros forcados que não constam desta gravura, António Alves de Sousa, Joaquim Ribeiro de Matos, José Amorim, Adriano Fragoso, João Paim e António Feliciano Branco Teixeira. Noutra fotografia da mesma época já se faz referência a outros forcados, designadamente António Abreu, Serra e Moura, Laurentino Veríssimo e o próprio Jaime Godinho.

É forçoso ter-se em conta como é que surgiam os grupos de forcados no princípio do século passado, em que pontificavam os grupos profissionais conotados com determinado Cabo que arregimentava diversos “pegadores” para as corridas que conseguiam ser contratados. Pelo estudo da evolução da sorte de pegar toiros e pela análise da escassa informação disponível, é possível em alguns casos estabelecer uma relação entre os grupos que mais ou menos espontaneamente surgiam anunciados nos cartéis dessa época e os que mais tarde vieram a organizar-se formalmente, tanto como amadores como profissionais, mas o que então era mais comum era a referência aos forcados de maneira pouco objectiva, como as notícias que se encontram na imprensa da época – “pega um valoroso grupo de forcados do Ribatejo”, sendo que na maioria dos casos o que diferia era o nome da terra, que poderia ir de Santarém, à Portela das Padeiras, à Ribeira de Santarém, ao Vale de Santarém, entre outras localidades.

De notar que os mesmos forcados integravam, então, diversos Grupos, sendo que alguns que eram Cabos de um Grupo se poderiam integrar noutros, capitaneados por outros forcados. Isto mesmo aconteceu com António Gomes d’Abreu, Cabo fundador do Grupo de Forcados Amadores de Santarém…

Nada me move contra o prestigiado Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo, muito antes pelo contrário, e, inclusivamente, em várias circunstâncias tomei as suas dores, nomeadamente no conflito que persistiu durante anos entre estes briosos forcados e a Associação Nacional de Grupos de Forcados, que não consentia a sua filiação como membro, e, por isso, o impedia de actuar na maioria das corridas em Portugal. Voltámos a defendê-lo quando os seus Cabos Joaquim José Penetra, primeiro, e mais recentemente, João Machacaz foram “forçados” a abandonar estes Grupos e o seu cargo, para que os Grupos não fossem penalizados.

Se o Grupo de Forcados que é considerado o mais antigo é o de Santarém, que está precisamente nesta temporada a celebrar o seu centenário, como é que o Grupo do Ribatejo se anuncia como tendo sido fundado há cento e dez anos, e assume a comemoração desta data? Prometo aprofundar o assunto e, em tempo de defeso, completar alguns aspectos relacionados com este assunto.

LM

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