Decorreu na Casa do Campino, em Santarém, entre os dias 21 e 22 de Novembro, a primeira Feira Nacional da Formação e Emprego de Pessoas com Deficiência e Incapacidades.

O evento pretendeu ser uma mostra de diversas entidades que desenvolvem formação profissional para pessoas com deficiência e incapacidades e, ao mesmo tempo, potenciar sinergias, aprendizagens e convívio entre as entidades da área da inclusão social, empresas, entidades públicas, técnicos, formandos e população em geral.

Para Luís Amaral, presidente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental (APPACDM), entidade co-organizadora do evento, esta Feira Nacional serviu de “montra” para o trabalho que é realizado pelas entidades que trabalham nesta área, considerando ser necessário que o mercado de trabalho olhe para estas pessoas como activos válidos.

“Do lado das empresas, há uma motivação que ainda não está concluída. Precisamos de motivar mais o tecido empresarial e os empresários têm de entender que não correm qualquer risco quando admitem para os seus quadros uma pessoa com deficiência”, declarou ao Correio do Ribatejo.

“Estas pessoas têm capacidades, têm o seu ritmo e a experiência diz-nos que estas pessoas merecem o seu salário”, afirmou ainda.

Luís Amaral contou que já foram muitas as pessoas formadas pela APPACDM de Santarém que conseguiram lugares nas empresas, com vínculos sem termo, e “têm cumprido as suas funções com zelo e diligência”.

“Compreendemos que os empresários tenham reservas. O mercado de trabalho está muito difícil. As empresas não têm quadros para acompanhar este tipo de população, nomeadamente no princípio e o nosso tecido empresarial é formado, essencialmente por pequenas e médias empresas. Mas temos de construir, nesse lado, a motivação para a contratação”, afirmou.

Segundo nos transmitiu, existem várias medidas para apoiar os empresários que assumam contratação com estas pessoas: “é preciso que eles as conheçam bem e percebam que isso também trará proveitos para as suas organizações”.

Actualmente, a APPACDM de Santarém possui formação para jovens a partir dos 15 anos, com deficiência mental, física, orgânica, multideficiência ou insucesso escolar. Trata-se de uma formação com duração máxima de 3 anos, que pode ser inferior, dependendo da preparação para a integração no mundo do trabalho, dos formandos.

O curso possui dupla certificação, dando equivalência ao 9º Ano de Escolaridade, visando dotar o formando dos conhecimentos e competências necessárias à obtenção de uma qualificação profissional que lhe facilite a integração no mundo normal de trabalho.

A sessão de abertura desta Feira Nacional da Formação e Emprego de Pessoas com Deficiência e Incapacidades contou com a presença Secretária de Estado da Inclusão que alertou também para a necessidade de divulgar as medidas e instrumentos que estão ao dispor das empresas para promover a inserção no mercado de trabalho de Pessoas com Deficiência.

“Penso que é fundamental termos a capacidade de, cada vez mais, dialogar e divulgar as medidas que temos ao nosso dispor para promover a inclusão. E não podemos deixar de aproveitar esta onda de retoma ao nível da criação de emprego porque este emprego também deve ser diversificado e inclusivo. Este é o momento certo para o fazermos”, declarou Ana Sofia Antunes.

A governante disse ainda esperar que não existam apenas estágios de inserção ou contratos emprego-inserção, mas que possa, cada vez mais, “haver medidas de carácter mais permanente e que dêem mais segurança às pessoas com deficiência”.

Esta Feira Nacional de Formação Profissional e Emprego de Pessoas com Deficiência e Incapacidades, teve organização da FORMEM – Federação Portuguesa de Centros de Formação Profissional e Emprego de Pessoas com Deficiência, contando com o apoio da Câmara Municipal de Santarém, IEFP-IP e da APPACDM de Santarém.