Vila Franca de Xira – Praça “Palha Blanco”, 21 de Outubro 2017 – Festival Taurino de Homenagem Póstuma a José Palha. Cavaleiros: João Moura, António Telles, Diego Ventura, Filipe Gonçalves, Duarte Pinto e Francisco Palha; Forcados Amadores de Santarém e de Vila Franca; Ganadaria: Prudêncio; Director de Corrida: João Cantinho, assessorado pelo Médico-Veterinário Dr. José Manuel Lourenço; Tempo – Agradável; Público – ¾ da Lotação.

Viveu-se no passado sábado na emblemática “Palha Blanco” um tempo de emoções, em que as lembranças do saudoso homenageado fluíam no imaginário de todos. Cada qual evocando a saudade dos contactos com José Palha, homem de eleição, simples na sua grandeza, frontal mas elegante, sério mas jovial e brincalhão. Amigo do seu amigo. Pessoalmente, conhecia e respeitava José Palha, sem outras conversas que não fossem o cordial cumprimento ou algumas palavras de circunstância. Mas, admirava-o sinceramente, pois, sabia como lidava com todos os que dele se abeiravam. Dos mais ilustres aos mais anónimos, como era o meu caso; dos mais íntimos aos mais afastados, como era o meu caso. Porém, a nobreza de carácter de José Palha e a lhaneza e cordialidade do seu trato impediam outras barreiras que não fossem as do respeito e da educação. Um Homem de excepção, cuja vida constituiu até ao seu termo um eloquente exemplo para todos nós, só merecia uma homenagem de excepção, promovida pelos seus Amigos de sempre, com o único interesse de não deixar esquecer personalidade tão marcante nas suas vidas e na vida de todos nós, aficionados, pelas lições que pudemos aprender com José Palha. Que descanse em Paz para todo o sempre e que
viva no coração e na memória daqueles que nunca o esquecerão.

Os toiros de Prudêncio da Silva Santos serviram na perfeição para que o espectáculo atingisse um nível técnico e artístico muito relevante e também para que o público vila-franquense recuperasse do abalo sofrido na última Feira de Outubro, em que a componente ganadeira foi uma calamidade.

Os primeiros quatro toiros foram muito colaborantes com quem teve de os enfrentar e os restantes um pouco mais “reservados”, mas, foi tal o empenho de toureiros e de forcados que o resultado foi francamente bom.

João Moura, um dos mais veteranos cavaleiros no activo, lidou com a categoria que se lhe reconhece, brilhando num tauródromo onde nem sempre tem sido feliz, porém, desta feita andou em plano de grande mestria, bregando com acerto e colocando a ferragem em sortes muito meritórias, que o público aplaudiu convictamente. António Telles, a tourear em casa – tal é a identificação do clássico marialva com este carismático tauródromo e com o público vila-franquense – esteve em plano de triunfo, assumindo este compromisso com tanto afã que iniciou a sua lide como uma emotiva sorte de gaiola. No mais foi preenchendo uma actuação com grandes pormenores de toureio e com o empenho próprio do afecto pelo ilustre homenageado, rubricando uma actuação portentosa, onde a vertente clássica do seu estilo de toureio ombreou com os inspirados e emotivos adornos que engrandeceram a sua função.

Diego Ventura aproveitou superiormente o melhor toiro do Festival e, com o poder, o conhecimento e a arte que lhe são peculiares, sublimou o toureio equestre elevando- o à sua dimensão máxima. O seu labor foi irrepreensível, dentro do estilo que cultiva, mas, mesmo os que não apreciam tal expressão de toureio hão-de reconhecer o mérito de uma actuação de tanta qualidade.

O domínio, expresso no temple e nas ínfimas distâncias que separam o toiro das suas montadas, o poder, incontestável pelos terrenos que pisa na colocação da ferragem, e a arte expendida numa brega elegante e plena de momentos de um virtuosismo impressionante, constituem as notas mais sublimes de uma actuação de excepcional craveira, que o público premiou com duas apoteóticas voltas à arena.

Filipe Gonçalves não desmereceu da qualidade e empenho dos seus alternantes e, fiel ao seu estilo de toureio, irreverente e poderoso, rubricou uma actuação de grande nível, cravando muito correctamente a ferragem comprida e desenhando vistosas sortes para colocação dos curtos, culminando esta sua aplaudida actuação com um bom par de bandarilhas.

Duarte Pinto não teve a sorte de enfrentar um dos toiros colaborantes da tarde, mas, senhor de boa técnica e de muito valor, rubricou uma lide muito poderosa, na qual protagonizou momentos de grande classe, onde deixou constância das melhores opções quanto aos terrenos do toiro, superando as esperadas dificuldades com muito mérito e a galhardia que lhe é tão peculiar.

Do mesmo mal se pode queixar Francisco Palha, pois, o seu oponente foi o mais manso da tarde, tendo até saltado a trincheira na tentativa de se esquivar à luta. Mas, o jovem marialva não se deixou impressionar por tão desfavoráveis credenciais e logrou rubricar uma lide muito meritória, à custa de muito querer e de uma determinação inquebrantável, brilhando na colocação de alguns dos ferros curtos com que culminou a sua actuação.

As pegas estavam confiadas a dois dos mais valorosos Grupos de Forcados na actualidade, e por quem o homenageado nutria uma relação de muita proximidade – os Amadores de Santarém e os de Vila Franca de Xira. Pelos escalabitanos foram solistas David Inácio, que consumou a sua sorte ao terceiro intento, e por Fernando Montoya e António Pombeiro Taurino, que consumaram ambos ao primeiro intento, em sortes muito meritórias. Pelos forcados vila-franquenses foram à cara Pedro Silva, Guilherme Dotti e Diogo Conde, tendo concretizado valorosamente as suas sortes ao primeiro intento.

Direcção atenta e correcta de João Cantinho e boa intervenção de peões-de-brega e campinos, honrando a memória do homenageado. No início do espectáculo foi guardado um minuto de silêncio em memória das vítimas dos incêndios que nos dias anteriores assolaram o nosso país.