Decorreu entre os passados dias 26 e 28 de Janeiro em Santarém, no Convento de São Francisco a primeira edição do ‘Festival Court Atlante’, “evento pioneiro do luxo em Portugal”, como adiantou Artur Casaca, promotor do evento. O certame teve como objectivo valorizar “as indústrias mais ancestrais e sedutoras que são motor crescente da nossa economia pelo valor das suas exportações, empregos gerados e potencial”, conclui.

Quinze empresas e artistas de vários pontos do país mostraram, em Santarém, produtos de luxo produzidos em Portugal, num evento que contou ainda com concertos, palestras e degustações.

Projeto de Artur Casaca, escalabitano que criou a que designa como “a primeira marca de luxo portuguesa”, a Global Monarchy, o Festival Court Atlante, que contou com o apoio financeiro e logístico da Câmara de Santarém, surge da vontade de mostrar marcas e produtos nacionais procurados internacionalmente pela sua excelência.

Numa das paredes laterais do convento, as esculturas em pele de corpos nus do artista plástico e especialista em curtumes, consultor de várias marcas de moda internacionais, João Carvalho (Alcanena) “decoraram” um espaço que mostra desde os vinhos da Quinta de Lemos aos têxteis Habidecor, da Celso de Lemos (empresas do mesmo grupo, de Viseu) e o mobiliário Muranti (Porto).

No outro topo, sapatos da Pecafi (Felgueiras) decoram uma ala e chapéus Real (São João da Madeira) outra, num espaço em que esculturas de Valentim Quaresma ocuparam uma capela juntamente com uma lareira da Glammfire (Monção), seguindo-se a Royal Cocoa, chocolataria e palácio/hotel (Montemor-o-Novo), e a U Shabby Chic (mobiliário com origem em Coimbra e com loja em Santarém), que partilhou o espaço com o joalheiro Franco Vieira (Guimarães).

As marcas de gin escalabitanas Manel, que se reivindica como “o mais caro do mundo”, e Gotik, distinguido como o melhor gin português na categoria dos London Dry Gin pelo World Gin Awards, estiveram também em destaque, tendo o evento sido aberto com uma prova de vinhos “topo” fornecidos pela Comissão Vitivinícola Regional Tejo, sobre um chão de mármore da Mocapor (Alcanede), que reveste palácios e lojas de luxo em vários países.

Armando Carvalho, da Habidecor, disse à Lusa que a empresa, a que o Wall Street Journal atribuiu “a melhor toalha do mundo”, “não faz feiras”, mas aceitou o convite de Artur Casaca pelo “pioneirismo” da iniciativa e porque defende que Portugal “precisa de mostrar as coisas únicas e muito boas” que tem.

Apostar na “venda personalizada” e em “boutiques” e lojas de luxo é filosofia comum às empresas presentes no evento.

De criação muito recente, a Royal Cocoa aposta no fabrico de bombons feitos com uma “seleção do melhor cacau do mundo” e recheados com pastas feitas artesanalmente a partir de produtos portugueses (como a tangerina de Montemor, o figo do Algarve ou o maracujá dos Açores), salientou à Lusa Afonso Gama. Moisés Gama (pai) disse que a marca, para já apenas presente numa loja ‘gourmet’ e online, vai ser lançada brevemente em mercados do Médio Oriente, tendo pronta a funcionar uma fábrica “altamente tecnológica” com capacidade para produzir até 150 quilos/hora, num investimento que surge associado a um ‘boutique’ hotel com oito ‘suites’.

Com mobiliário requintado, a U Shabby Chic mostrou no Convento de São Francisco peças da loja de Santarém de uma cadeia que começou em Coimbra e se estendeu também a Viseu, Porto, Aveiro, Fátima, Setúbal e, brevemente, a Lisboa. Ana Carvalho e Dina Melucci mostraram alguns exemplares do trabalho de “recuperação e ‘makeover’” de peças antigas que realizam, em vários estilos, “cedendo” um dos armários para as peças de joalharia de Franco Vieira.

Joalheiro há 30 anos, Franco Vieira disse à Lusa que criou a marca Frank Hervé para, em 2018, entrar nos mercados francófonos com as coleções em ouro e em mistura de ouro e prata, com pedras preciosas e semipreciosas, da sua autoria.

Depois do ‘cocktail’ de abertura, seguido de um ‘workshop gourmet’ do gin artesanal Manel, de um ‘showcooking’ com o chefe escalabitano Rodrigo Castelo e de uma degustação do chocolate Royal Cocoa, o primeiro dia do festival terminou com um concerto de Marta Pereira da Costa (guitarra portuguesa).

No Sábado à tarde realizou-se um debate sobre o luxo em Portugal, com Misha Pinkhasov, autor do Real Luxury Book, a apresentação do livro Atlantida pelo seu autor, Manuel José Gandra, e uma prova de Gin Gotik, atuando, a encerrar a noite, Moullinex (Dj Set).

O evento terminou no Domingo com duas palestras, uma sobre “etiqueta e protocolo de luxo na era moderna”, por Vasco Ribeiro dos Santos, e outra sobre “luxury and destination weddings”, com Célia Pratas, a que se seguiu um ‘showcooking’ de comida gourmet vegetariana com o chefe parisiense Thomas Dagorn.

Para Artur Casaca, mentor do evento, “o balanço é positivo. Superou as expectativas pelos ilustres profissionais do luxo que visitaram e que vieram de norte a sul do País e de outras nacionalidades como Espanha, França ou Itália”. No que respeita à adesão do público em geral, segundo o organizador, “dada a qualidade do cartaz musical, ficou aquém das expectativas. Mas é de sublinhar as empresas que participaram nesta primeira edição, que são de vários sectores
desta fileira e que se deslocaram a Santarém”, vindas de localidades como Monção, Guimarães,
Felgueiras, São João da Madeira, Porto ou Lisboa. Do Ribatejo fizeram-se representar empresas de Alcanede, Santarém e Alcanena.

Em jeito de conclusão sobre o festival, Artur Casaca informou ao Correio do Ribatejo que “reflectindo na justificação desta iniciativa inovadora alicerçada numa indústria pujante em Portugal e nos aspectos a melhorar, a organização espera realizar próximas edições com mais ímpeto”, acrescentando ainda que “a maioria das empresas presentes, mal encerrámos as portas do festival manifestou interesse em continuar a cooperar. Os fundamentos segundo os próprios foram a visibilidade, projecção e alguns negócios estabelecidos”, conclui.