Utilizo esta minha crónica para destacar uma das atividades do Parlamento, com pouca visibilidade, que considero fundamental para dar a conhecer os ritmos de trabalho na Casa da Democracia e assim aproximar os eleitos dos eleitores e os eleitores dos eleitos. Falo das visitas à Assembleia da República.

Tudo começa com a vontade de um grupo de cidadãos, mais ou menos organizado, e com um posterior contacto. Feito diretamente para os serviços da Assembleia da Republica ou então através de um deputado do circulo eleitoral a que se pertence, ou com quem se tem alguma relação de amizade e que, através dos serviços, marca o dia e a hora da visita. Trabalho nem sempre fácil, porque a facilidade com que os cidadãos chegam ao Palácio de São Bento dá mais cor aos corredores e galerias e garante uma agenda de visitas muito preenchida.

Acordada a data, chega por fim o dia em que se fazem à estrada grupos de cidadãos de todas as idades, vindos de todos os pontos do país, para desembarcarem à porta do Palácio de São Bento onde iniciarão a descoberta de um mundo desconhecido e quase sempre distante. O primeiro contacto é feito com os serviços de segurança para o cumprimento das formalidades que garantem condições de segurança a todos os que utilizam o Palácio.

A partir daí é a descoberta da imensidão daquele Convento que remonta ao séc. XVI, posteriormente transformado em Parlamento, onde impera a grandiosidade do pé direito das salas e corredores, a imponência da estatuária e das escadarias, a diversidade das obras de arte em exposição, ou a magnitude das salas do Senado e das Sessões Plenárias; pautada pelo olhar sempre atento dos vários bustos da República, presentes em todo o edifício, e pelos encontros com as caras, mais ou menos conhecidas, com quem se vão trocando saudações.

Sempre que acompanho visitas, ou mesmo quando me cruzo com um grupo que não conheço, mas com quem gosto sempre de trocar breves palavras, não deixo, por iniciativa própria, ou porque me questionam, de dar resposta às perguntas que se repetem, independentemente das idades dos visitantes. Dou por mim muitas vezes a pensar na importância daqueles momentos de aproximação entre eleitores e eleitos, e na forma como, através de simples conversas, se desconstroem deias pré-concebidas que possamos ter uns em relação aos outros.

Finda esta breve reflexão, que verdadeiramente me deixa feliz, serve ainda a crónica desta semana para vos dar nota do gosto que tive de ver na Casa da Democracia as alunas e os alunos de Jornalismo da UTIS de Santarém; e para agradecer a iniciativa ao Paulo Narciso, que meses antes começou, com interesse e dedicação, a preparar a viagem e todo programa complementar.

Muito obrigada pela visita. Voltem sempre.

Idália Serrão

Deputada do PS eleita por Santarém

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