Eugénio Salvador Marques da Silva, o magnífico e brilhante Eugénio Salvador. Foi actor, bailarino, encenador, empresário e futebolista. Um dos grandes vultos do Parque Mayer com uma presença em palco extraordinária e uma jovialidade únicas.

Enobreceu a arte de representar e dançar, estimou e respeitou o público; a sua fonte de inspiração e consagração. Um artista brilhante e um inovador do teatro de revista.

Nasceu em Lisboa em Março de 1908, oriundo de uma família ligada ao teatro, era neto do empresário, autor e encenador Salvador Marques e filho de Luís Marques que foi um exímio cenógrafo. Os seus dois irmãos Luís e Mário Salvador Marques da Silva foram ambos pintores. Uma família ligada às artes e cultura que desde cedo influiu na vertente artística que brotava no pequeno Eugénio.

No Liceu Camões começou a frequentar o Orfeão com prof. Silva Reis, e desde logo a sua capacidade inata para estar em palco destacou-se. Quando acabou o quinto ano seguiu os estudos no Conservatório. Contudo, não foi só para as artes de palco que Eugénio tinha aptidão, também se destacou a jogar futebol. Inicialmente nos desafios do Liceu e mais tarde nos desafios que se realizavam no Conservatório. Foi justamente num destes desafios entre actores e toureiros dinamizado pelo Conservatório, que Cosme Damião reparou no jovem Eugénio e convidou-o para ingressar no Sport Lisboa e Benfica. A partir de 1924 Eugénio repartiu a sua vida entre o teatro e o futebol.

Frequentou o Conservatório até 1928 terminando o curso com distinção A sua estreia profissional aconteceu no Teatro Maria Vitória na peça “Grão-de-bico”. Seguiu como profissional no teatro e amador no futebol. Pelo seu lado prazenteiro
e bem-disposto optou por ser actor cómico. A par do seu trabalho, e do futebol, praticou muitas modalidades desportivas que lhe concederam grande agilidade e robustez física que o auxiliaram quando começou a dançar na peça “Vinho Novo”.

Quando estava em cena a revista “Ramboia” onde dançava o “Vira da Ramboia, ao participar num jogo de futebol partiu um braço, todavia continuou a estar em palco e actuar com o braço ligado e a dançar o vira como se nada fosse.

Em 1930 foi ao Brasil pela primeira vez com a Companhia Santanela-Amarante. Depois seguiu-se uma tournée a África com a Companhia Hortense Luz. Esta Companhia permaneceu em Lourenço Marques por nove meses. Durante este tempo Eugénio Salvador participou em diversos desafios de futebol e foi também por terras africanas que conheceu e começou a dançar com a sua mulher Lina, que também fazia parte da Companhia.

No regresso a Lisboa Eugénio Salvador e a mulher começaram a apresentarem-se como o duo Lina e Salvador na revista “Sapo – Gato.” Em 1937 a convite de António Ferro foram a Paris representar o folclore português. Este fabuloso par actuou durante 17 anos até ao nascimento do  lho. Devido à intensa actividade profissional Eugénio optou pelo teatro e deixou o futebol em definitivo apesar de ter tido uma longa carreira futebolística sempre a par do teatro.

A carreira de Eugénio Salvador prosseguiu intensa no meio teatral, não obstante, trabalhou amiudamente no cinema. Participou em 20 filmes nomeadamente Maria Papoila, Fado, História de uma Cantadeira, Cais do Sodré, Madragoa, Os Três da Vida Airada e Sonhar é Fácil.

Durante toda a sua carreira dinamizou e enriqueceu o Teatro português. Foi um exemplo de dedicação, rigor, alegria e entrega. Dignificou o teatro através do seu dom genial, dinamizando o teatro de revista. Trabalhou no teatro até quase ao  m da sua vida, por isso na nossa memória persiste as suas brilhantes interpretações quer no teatro, sobretudo no Parque Mayer, quer no Cinema. Faleceu no dia 1 Janeiro de 1992 com 84 anos, pouco tempo depois de ter deixado o palco devido ao seu estado de saúde.

Eugénio Salvador tinha um modo de representar a comédia particular e único conduzindo o público para um ambiente de júbilo e gáudio. Para além do palco, o campo de futebol também foi a sua vida. Inesquecível pela sua forma de ser e estar, asseverou com o seu empenho e dedicação a arte e cultura sublimando-as. O seu nome está arrolado ao Parque Mayer, símbolo e ídolo de uma geração de artistas e de uma época gloriosa no contexto cultural. Eugénio Salvador gostava que houvesse sempre em Teatro amizade, colaboração e camaradagem, é sem dúvida um artista MEMORÁVEL!

Susana Coimbra