A actual igreja de Santa Maria de Marvila foi reconstruída por iniciativa do rei D. Manuel I, substituindo o anterior templo gótico de meados do século XIII. A igreja, já concluída em 1530, sofreu algumas remodelações estéticas nas naves e nas portas laterais, durante o reinado de D. João III, provavelmente em consequência do terramoto de 1531. No período filipino a igreja beneficiou de um revestimento azulejar respectivamente em 1617, 1620, 1635 e 1639. Os portais da igreja foram executados no início do século XVIII. Novas obras de recuperação foram feitas após as invasões francesas perante a destruição do altar e de pinturas maneiristas infligida pelos ocupantes. A torre medieval foi demolida em 1876, sendo substituída por outra ao gosto da época coroada com quatro pináculos, conforme o atestou o cónego Duarte Dias.

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A partir de 1935, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou um conjunto de intervenções com o objectivo de recuperar a feição primitiva do templo apeando os altares barrocos e requalificando a área exterior envolvente. Nesse período também foram substituídas as coberturas, demolidos anexos e uma parte do coro. igr marv 2

Na sua edição de 4 de Julho de 1936, o Correio da Extremadura noticiava “a demolição da velha sacristia da igreja de Marvila, que prejudicando a estética do edifício e da própria praça do Município [actual praça Visconde Serra do Pilar] está sendo destruída por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, foi aceite de bom grado por todos os que viam naquele casarão um enxerto de mau gosto na elegante face ogival do edifício. Ficou a descoberto um belo pórtico renascença e as ogivas podem ser livremente admiradas” (p. 8). No entanto, o jornal dava voz aos paroquianos que desejavam a rápida construção de uma sacristia, espaço indispensável para guardar os paramentos e alfaias da igreja e assegurar o culto religioso a cargo do padre José Garcez.

 

Um mês depois, o jornal publicava na sua coluna “O que se diz…” que “a igreja de Marvila está passando pelos tormentos das suas congéneres de Espanha. Demolição, ruínas, borborinho. Até o encarregado das obras foi demitido, por… excesso de respeito para com as autoridades” (CE, 8/8/1936, p. 8). A referência ao conflito de Espanha causou algum incómodo porque “alguém se lembrou de fazer uma especulaçãosinha, que só revela a inferioridade dum pobre de espírito. Ao aludirmos a Espanha, só quem for mentecapo é que pode admitir a ideia de que chamemos aos restauradores do edifício… espanhóis” (CE, 22/8/1936, p. 3). Nesse período, o templo já estava desobstruído dos anexos do lado norte, tinha um telhado novo e beneficiara de pintura. Apesar na inexistência de intervenção arqueológica, “nas obras da igreja de Marvila foram encontradas moedas que datam dos tempos medievais, que talvez sobejassem das esmolas que hoje faltam para os pobres da freguesia” (CE, 5/12/1936, p. 8). igr marv 3

No final da década de trinta construiu-se uma escadaria de acesso à porta da fachada norte constituída por dez ordens de degraus. A escada lateral na rua 1.º de Dezembro foi remodelada enquanto o anexo da sacristia foi alterado passando de semi-circular a rectangular. O monumento beneficiou ainda da abertura dos vãos de comunicação entre as capelas de cabeceira, do arranjo do coro e construção da escada de acesso, a reparação dos tectos de madeira e a colocação de azulejos em diversos locais da igreja. Esta intervenção financiada pela DGEMN permitiu que se marcasse e aprovasse a Zona Especial de Protecção da Igreja, em 1946.O telhado da igreja foi reparado em 1961 e 1971. Dois anos depois, a instalação eléctrica foi modernizada e colocados lustres de cristal, fabricados na Marinha Grande. Na década de 90, a DGEMN voltou a patrocinar obras de conservação e restauro em Marvila que permitiram a consolidação do revestimento azulejar.

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