Bernardino César Nunes Guerreiro começou por exercer a sua profissão de dentista pontualmente no hotel da Boavista, em Santarém, a partir de 1892. O referido dentista estabeleceu o seu consultório no largo do Seminário, provavelmente em Outubro de 1897. Este publicitava-se como “habilitado em todos os trabalhos da sua arte (…) tanto em extracções como em colocações de dentes” (CE, 16/10/1897, p. 4). O dentista vendia frascos com um “novo cautério francês” ao preço de 500 réis a unidade que aliviava as dores de dentes. Bernardino Guerreiro consultava gratuitamente os utentes do hospital e dos asilos da cidade.

A concorrência profissional surgiu pontualmente até à primeira década do século XX. Em 1903, o especialista em cirurgia e prótese dentária João N. Ferreira da Trindade fazia “tratamento das doenças da boca e dos dentes, colocação de dentes artificiais pelos melhores sistemas conhecidos [a] preços módicos” (CE, 26/12/1903, p. 3). Os tratamentos eram feitos no hotel União.

Em 1908, o consultório de Bernardino Guerreiro passou a funcionar na rua Direita, 72, com atendimento permanente entre as 9 horas e as 21 horas. Este, restabelecido de uma doença que o impossibilitou de trabalhar, “continuava fazendo os seus trabalhos de dentista, tanto em extracção de dentes sem dor, como em obturações e colocações de dentes artificiais desde 1$800 réis cada” (CE, 14/11/1908, p. 4). As dentaduras forradas a ouro ou a platina variavam no preço entre 45$000 e 50$000 réis, os dentes a pivot orçavam entre os 4$500 réis e os 5$000 réis, enquanto as coroas em ouro ou platina  cavam por 5$000 réis cada. A limpeza de dentes variava entre os 1$000 réis e os 1$500 réis. A extracção
de dentes recorrendo ao uso da anestesia de cloreto de etila, portanto supostamente sem dor, custava 1$000 réis diminuindo o preço para menos de metade caso o dente fosse retirado sem anestésico.

Em Março de 1909, o consultório odontológico de Bernardino César Nunes Guerreiro funcionava na rua Direita, 108, no mesmo horário. As dentaduras tinham a garantia dos “fabricantes Ash e Hijo, inglês e S. S. White, americano os únicos que até hoje não encontraram quem com eles rivalizasse tanto em qualidade como em perfeição, podendo considerar-se por isso o dente de seu fabrico perfeitamente invencível e portanto nunca inferior aos que o respeitável público possa mandar colocar por preços muito mais elevados. São absolutamente garantidos por seis anos. Para garantia ao cliente que no acto de mastigação se lhe quebre um dente artificial, ser-lhe-á restituído gratuitamente”(CE, 20/3/1909, p. 4).

Após os tratamentos dentários, o especialista aconselhava os pacientes a bochecharem com borato de sódio a 4% entre três a oito dias. No consultório também se vendia escovas de dentes, elixires e pós dentífricos que não danificavam o esmalte dos dentes.

A publicidade relativa ao consultório feita em Março de 1909 no Correio da Extremadura apresentava uma fotografia de Bernardo Guerreiro de forma a credibilizá-lo perante a concorrência.

teresa 06-02-17

No final de 1908, o dentista Joaquim António Martins estabeleceu-se em permanência no largo do Seminário, 7, após ter residido no largo de Marvila. No ano seguinte, Branco Filho, cirurgião dentista pela Escola de Madrid, estabeleceu-se no largo do Seminário, 2-1.º andar enquanto mantinha consultório na travessa de S. Domingos, 39-1.º andar, em Lisboa. Em Dezembro de 1909, o consultório de Bernardino Guerreiro regressou ao número 66, da rua Direita, por cima do depósito de máquinas da Singer e passou a funcionar entre as 8 horas e as 21 horas. Bueno Romeira, cirurgião dentista diplomado pela Universidade de Coimbra e estabelecido permanentemente em Lisboa na calçada do Combro, 32-1.º andar, deslocava-se todas as quintas-feiras e domingos ao consultório de Bernardino Guerreiro.

O consultório Odontológico de Bernardino Guerreiro ainda funcionava em 1911. Em 1915, o consultório de Branco Filho deu lugar a um espaço de “Assistência Dentária”, de responsável desconhecido, que se dedicava às próteses restauradoras dos maxilares e das dentições ao executar pontes
dentárias. Nesse ano, Carlos Pimentel, proprietário de uma clínica na Garrett, 36-1.º andar, em Lisboa, abriu um consultório cirúrgico dentário na rua Direita, 92-94 que funcionava às sextas-feiras, sábados e domingos.

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