teresa 10-06-16

Campo Sá da Bandeira, primeiras décadas do século XX. Fotografi a cedida por Zeferino Silva

Há cem anos, a cidade de Santarém debatia-se com problemas bem actuais como o comprova a rubrica do Correio da Extremadura “o que se diz…” ao referir “que a Câmara vai adjudicar em hasta pública toda a pastagem das ruas e largos” (CE, 3/6/11916, p. 2). Entretanto a edilidade multou a Companhia de Gás por falta de luz em dois candeeiros de iluminação pública durante dois dias, 28 e 30 de Maio. Controlar o trânsito de mercadorias na cidade também se revelava difícil, daí a necessidade de a Câmara mandar colocar marcos de pedra na calçada de Atamarma para evitar a passagem de veículos com carga. Na reunião camarária realizada a 6 de Junho discutia-se a proposta do presidente da edilidade, Pedro António Monteiro, de terminar com a exploração da pedreira do campo Sá da Bandeira, “tapando-se a enorme barroca, que tanto está contribuindo para o mau aspecto do campo e regularizando-se devidamente a alameda naquele local” (CE, 10/6/1916, p. 1). A proposta foi rejeitada por uma maioria que resolveu que “a parte aberta se entulhe, continuando a exploração para os lados” (Idem).

O desemprego, o aumento de preços, o racionamento em consequência da Grande Guerra, a falta de alguns alimentos básicos como a batata e o pão levaram a comissão distrital de assistência a projectar fundar, em Santarém, uma sopa económica para os mais desfavorecidos.

Neste período, a associação mutualista Grémio Ribeirense, aliada da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, abriu uma subscrição a favor desta que a 24 de Junho tinha atingido a importância de 66$76.

A 15 de Junho passou a ser vendido em Santarém o semanário monárquico-católico A Tribuna, que garantia larga informação sobre o distrito. Os pedidos de assinatura eram feitos a J. Cordeiro Ribeiro, na rua Serpa Pinto, 85. Entre os colaboradores do jornal encontravam- se António Sardinha, Conde de Monsaraz, Conde Sabugosa, Homem Cristo Filho, José Pequito Rebelo, Hipólito Raposo, Luís de Magalhães, João Moreira de Almeida, Rocha Martins, Alfredo Pimenta e Aires de Ornelas. Da sua linha editorial destacavam-se “temas de política, arte, literatura, modas, elegância, sport, agricultura e questões operárias” (CE, 3/6/1916, p. 3).

A 22 de Junho de 1916, faleceu em Santarém o advogado José Joaquim Dias que desempenhou funções como comissário de polícia civil e procurador à Junta Geral do Distrito. Este contava setenta e cinco anos e antes de se  xar em Santarém exerceu funções como administrador dos concelhos de Sousel, Golegã e Torres Novas.

Teresa Lopes Moreira

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