teresa 14-10 Joaquim Custódio da Silva

Joaquim Custódio da Silva, [s.d.], Estúdio Novarte, Santarém, cliché n.º 19326. Fotografia cedida por Joaquim Mónica

Joaquim Custódio da Silva nasceu na freguesia de Marvila, em Santarém, a 8 de Outubro de 1906, sendo  lho de Custódio da Silva e de Amélia de Jesus. Em 1920, com apenas 14 anos, iniciou a sua actividade profissional na filial de Santarém do Banco Nacional Ultramarino, onde chegou a gerente.

A sua ligação aos soldados da paz iniciou-se em 1938, ao ingressar na direcção dos Bombeiros Voluntários, na qualidade de tesoureiro. No ano seguinte, foi eleito segundo Comandante dos Bombeiros Voluntários, numa assembleia- geral que decorreu a 29 de Abril.

A 16 de Dezembro de 1939, um grande incêndio destruiu uma parte das instalações dos quartéis do Grupo de Artilharia e de Cavalaria 4, instalados nos conventos da Trindade e de S. Francisco. O fogo decorreu em dois andares e consumiu os serviços de comando, secretarias, conselho administrativo, quartos de oficiais e as bibliotecas das unidades. Os corpos de Bombeiros Municipais e Voluntários comandados respectivamente pelo inspector de incêndios, capitão Manuel Reis Cardoso e por Joaquim Custódio combateram o flagelo com os poucos recursos que possuíam. Os actos de coragem dos bombeiros valeram-lhes louvores assim como a Joaquim Custódio que foi distinguido, a 20 de Dezembro, pelo inspector de incêndios, Manuel Cardoso e pelo primeiro comandante dos Bombeiros Voluntários, Miguel da Mota Carmo, a 5 de Janeiro de 1940. Cinco meses depois, foi louvado pela competência, correcção, aprumo e desembaraço demonstrado na execução do exercício realizado durante o VII Congresso dos Bombeiros Portugueses em Santarém e condecorado com medalha de prata de dedicação pelos Bombeiros Voluntários Lisbonenses.

A 14 de Fevereiro de 1946, Joaquim Custódio foi nomeado primeiro comandante dos Bombeiros Voluntários e, a 22 de Janeiro do ano seguinte, passou a exercer o cargo de segundo comandante dos Bombeiros Municipais, em acumulação com as funções desempenhadas na outra corporação.

Na qualidade de comandante interino dos Bombeiros Municipais acompanhou, a 7 de Maio de 1947 a visita do presidente da Câmara, António Maria Galhordas e dos vereadores António Nobre e António Meneses ao quartel. Estes “prometeram melhorias de instalações e de material (…) adquirir cobertores para as camaratas dos piquetes de serviço, (…) novos capacetes, um motor para accionar a bomba do carro número um e uma nova viatura para substituir uma já antiquada. Vão ainda dotar a corporação com uma casa de banho, com chuveiros e ordenaram já a compra de mobiliário para novos gabinetes do comando e chefes” (CR, 10/5/1947, p. 2). Os políticos “saudaram o novo comandante, cuja actividade está já a fazer-se sentir na corporação. Abraçando- o, envolveram nesse abraço todo o corpo activo” (Idem).

A 2 de Junho de 1948, Joaquim Custódio sofreu um acidente durante o combate a um incêndio. O entorse levou-o, por exigência médica, a confiar o comando do ataque ao incêndio aos chefes Quintino Duarte e António Bonito. Dois meses depois, foi nomeado primeiro comandante dos Bombeiros Municipais, ficando as duas corporações subordinadas à mesma chefia, com o objectivo de se obter uma maior e ciência no serviço dos soldados da paz.

Durante a comemoração do “Dia do Bombeiro”, a 18 de Agosto de 1948, os retratos do presidente da Câmara, António Maria Galhordas, do vereador com o pelouro dos incêndios, António Meneses e do comandante Joaquim Custódio da Silva foram descerrados no quartel dos Bombeiros Municipais. Alfredo da Silva Leitão, dirigente dos Bombeiros Voluntários, associou-se à homenagem e dissertou sobre os benefícios de um comando dos bombeiros uno.

No ano seguinte, foi louvado pela Câmara Municipal por três vezes: 9 de Fevereiro, 24 de Agosto e 8 de Setembro. O último louvor referia-se ao porte, disciplina e correcção por parte dos bombeiros no exercício realizado a 21 de Agosto, em conjunto das duas corporações, na comemoração do “Dia do Bombeiro”. Nesse dia, as duas corporações receberam carros de pronto-socorro. Também os Bombeiros Voluntários louvaram o seu comandante pela oferta de um estandarte à Associação.

Em 1950, recebeu dois louvores pela Câmara Municipal, devido à forma como decorreram os exercícios de simulacro de incêndio realizados em 18 de Junho e pela sua extrema dedicação e alta qualidade de comando. Também foi louvado pelo Inspector de Incêndios da Zona Sul, devido ao elevado grau de preparação técnica, com que mantinha as duas corporações de Bombeiros, qualidades observadas durante os exercícios de simulacro, realizados a 5 de Novembro.

Dois anos depois, para além do louvor da Câmara Municipal (6 de Janeiro) foi homenageado e condecorado com as insígnias de Cavaleiro da Ordem de Benemerência, colar e medalha, impostas pelo Governador Civil, Abílio Belo Tavares, a 16 de Novembro. Na referida homenagem, o presidente da direcção dos Bombeiros Voluntários, Nuno Franco Duarte entregou ao comandante a medalha de prata de bons serviços. No final da festa, inaugurou-se a nova automaca que, depois de benzida pelo padre Manuel Maria Henriques, recebeu o nome de Maria da Piedade Duarte,  lha do deputado da União Nacional, Artur Proença Duarte.

A partir de 1954, Joaquim Custódio passou a exercer as funções de vereador com o pelouro de incêndios, a convite do presidente da edilidade, António Maria Galhordas. Nos anos seguintes continuou a receber louvores da Câmara: pela forma como organizou os bombeiros na guarda de honra ao Presidente da República, Craveiro Lopes, aquando da inauguração do novo edifício dos Paços do Conselho de Santarém, a 6 de Junho de 1956; e a 30 de Dezembro de 1957, pela forma como coordenou os bombeiros que combateram o incêndio que destruiu a serração escalabitana de Trindade e Duarte.

Joaquim Custódio foi nomeado vogal do Conselho Nacional do Serviço de Incêndios, em representação das Corporações de Bombeiros da Zona Sul do país, em Janeiro de 1957. Três anos mais tarde, propôs à Câmara Municipal a instalação de uma linha telefónica directa entre as duas Corporações que facilitava a articulação dos serviços de socorro. A 25 de Agosto de 1962, aquando da comemoração do “Dia Nacional do Bombeiro” foi descerrado o seu retrato na camarata dos Bombeiros Voluntários.

Em Abril de 1965, deixou de exercer funções no Banco Nacional Ultramarino, mas manteve-se ligado ao comando dos Bombeiros e continuou na vereação da Câmara. A 2 de Dezembro desse ano foi condecorado com a medalha de ouro da cidade de Santarém, pelo presidente Jacob Pinto Correia. A 1 de Novembro de 1969 recebeu as medalhas de ouro de assiduidade e serviços distintos, da Liga dos Bombeiros Portugueses. A 19 de Dezembro de 1971, Joaquim Custódio foi condecorado com a medalha de ouro do Município por ter mais de vinte anos de serviço activo e vinte e cinco anos de comandante dos bombeiros.

Nesse dia foi colocada a primeira pedra para a construção do novo quartel dos Bombeiros Municipais. Também a Inspecção de Incêndios da Zona Sul o louvou pela sua actividade ao serviço dos bombeiros. Joaquim Custódio da Silva faleceu na Casa de Saúde da Cruz Vermelha, onde se encontrava internado, a 18 de Abril de 1973, sendo sepultado em jazigo de família no cemitério de Almeirim e deixando viúva Maria Eugénia Gonçalves da Silva.

Teresa Lopes Moreira