A drogaria Martins foi fundada no final do século XIX ou no início do século XX, em local não identificado. Em Janeiro de 1908, o estabelecimento passou a funcionar na rua de S. Nicolau 84-A, 84-C e 86 e aumentou o seu comércio passando a vender artigos de perfumaria e objectos de escritório. Os fregueses que fizessem compras no valor de 100 réis seriam presenteados com brindes.

No Entrudo de 1909, a Drogaria tinha “um sortido colossal de tudo quanto diz respeito a Carnaval e Batalha de Flores e [vendia] tudo mais barato que qualquer outra casa [como] serpentinas, cocotes, máscaras, dominós, guizos para fatos de homem, bisnagas com água-de-colónia, folhas de papel seda em cores para cocotes e flores, garrafinhas de mau cheiro, narizes, óculos, lunetas, pó de dourar, pratear e fazer comichão” (CE,13/2/1909,p. 6). Os descontos eram garantidos para os revendedores e os fregueses que adquirissem compras de 500 réis em produtos carnavalescos recebiam um brinde.

A Casa, a funcionar na mesma rua mas nos números de porta 82-86, também vendia artigos para decorar salas de baile e/ou outras diversões como “fitas, bandeiras, sinos,  ores, verdura, (…) tintas, drogas, pílulas mata-sezões, mata-frieiras, xarope groselha para a tosse” (Idem).

A drogaria Martins oferecia outros serviços como cortar vidros e fazer entregas ao domicílio. Em Abril de 1909, a loja apresentava uma vasta gama de produtos a “preços convidativos” para participar na “Batalha de Flores” realizada em Santarém a 10 de Abril, no Campo Sá da Bandeira, como flores, serpentinas, papel plissado e de seda de cores diversas.

Para além de vender doces (dropes, bombons, amêndoas) também dispunha de tintas, drogas, pílulas e “um novo artigo (…) o incomparável Calicida que em três dias arranca todo e qualquer calo (…) ao preço de 200 réis cada frasco” (CE, 3/4/1909, p. 4). Novamente, os fregueses eram obsequiados com brindes desde que fizessem compras no valor de 1$000 réis para participar na “Batalha de Flores”.

CE,13/2/1909, p. 6

Em Maio desse ano, a Drogaria vendia mais de trinta variedades de sementes de hortaliça importadas, em pacotes de 20 réis até 300 réis: repolho, couve-flor, alface, espinafres, nabo, cenoura, cebola, pão de açúcar, lombarda, coração de boi, salsa, coentros, brócolos… As novidades abrangiam outros artigos como “tubos de borracha, válvulas, cones, esferas, argolas, tubos para pulverizadores (…) pó e líquido para matar formigas e pulgas” (CE, 8/5/1909, p. 5).

No entanto, o grande sucesso de vendas do estabelecimento era as “pílulas mata sezões” que combatiam “dores de cabeça, arrepios pelo corpo, calafrios, molezas, (…) febres ou maleitas” (CE, 23/10/1909, p. 5). Para uma cura radical bastava adquirir meia caixa do produto por 250 réis ou uma caixa por 410 réis. A Drogaria garantia que “todos estes preparados são feitos por um farmacêutico muito habilitado” (Idem) e continuava a fazer descontos para revenda em mercearias, lojas de ferragens e drogarias.

A Drogaria Martins promoveu um grande brinde associado à lotaria do Natal, “toda a pessoa que  zer compras de 130, 250, 500 e 1$000 réis em bilhetes-postais ilustrados, desde 10 de Novembro até 22 de Dezembro de 1909, tem entrada no número 1641 cuja extracção se realizará em 23 de Dezembro” (CE, 13/11/1909, p. 4). Os prémios variavam entre os 15$000 réis, 40$000 réis, 90$000 réis e 200$000 réis.

Até 1912, a Casa continuou a publicitar os seus produtos carnavalescos “de primeira qualidade e garantidos” como fósforos de cores de clarão ouro e prata a 20 réis a caixa e estalos chineses orçando entre 70 a 200 réis, conforme a quantidade fosse de 72 ou 720. Os brindes mantinham- se para compras de 500 réis em artigos de Carnaval enquanto “para compras de 6$000 réis é posto por nossa conta em casa do freguês seja em que terra for que o freguês resida” (CE, 3/2/1912,p. 5).

Teresa Lopes Moreira