A manhã do dia 3 de Junho, sábado, começou cedo para as centenas de voluntários que construíram a cidade dedicada aos mais novos – trabalhadores do município, voluntários de todas as idades, empresários, dirigentes associativos, técnicos de saúde e de apoio social, ranchos folclóricos, escolas de música e filarmónicas, escuteiros, polícias, guardas republicanos e bombeiros municipais, elementos da protecção civil, academias e clubes desportivos, escuteiros e associações culturais, permitiram aos mais novos tomar o lugar dos adultos e experimentar um sem número de profissões e actividades.

Ainda antes da hora marcada para a abertura da cidade aos pequenos habitantes, já a fila era longa para levantar o passaporte – documento emitido pela Câmara Municipal onde os mais pequenos vão recolhendo carimbos e autocolantes e registando para o futuro todas as experiências fantásticas vividas na sua cidade.

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Pedro Magalhães Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, também chegou cedo para “agradecer a todos os que de modo completamente voluntário, sem qualquer contrapartida, dedicam o seu tempo a pensar este dia e a criar um espaço em que as crianças só têm uma ordem ­- brincar”.

Lembrando que o Dia Mundial da Criança celebra a Declaração dos Direitos das Crianças “e brincar é um direito consagrado nessa declaração. Talvez um dos mais importantes, porque uma comunidade sem espaço para que as crianças possam apenas ser crianças, pressupõe a existência de muitos outros desequilíbrios sociais e culturais”.

“Quando no início do mandato pensámos esta cidade, foi em especial o artigo 31.º desta declaração que inspirou a nossa área de Educação e Juventude a alargar este evento a toda a comunidade.” Pedro Magalhães Ribeiro lembrou que em 2013, “o Comité das Nações Unidas para os Direitos da Criança tinha emitido um documento que chamava a atenção dos estados para a necessidade de criar espaços que pudessem reforçar o exercício deste direito”, que permitissem usufruir “do direito ao lazer, ao descanso, à brincadeira e à plena participação na vida cultural e artística”, que o Comité considera essenciais “à integração das crianças na família, mas também na sociedade e na sua comunidade, é esta integração que dá a cada criança o sentimento de pertença e de segurança essenciais ao seu desenvolvimento”.

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O convite “feito na altura às escolas, às associações culturais, desportivas e de apoio social, aos comerciantes e empresários de todas as áreas de actividade, obteve uma resposta tão positiva que por si só justifica o sucesso deste modelo”, explicou o autarca assegurando que “esta cidade é a comunidade toda, somos nós, são centenas de pessoas a dedicar um dia às suas crianças, esta cidade pequenina é exemplo da união, solidariedade e generosidade de que somos capazes em prol dos outros. É um espaço seguro para as crianças, de integração, de promoção de igualdade de oportunidades no acesso aos direitos consagrados na Declaração”.

Uma cidade para dar largas à imaginação
Na cidade criada no centro do Cartaxo para acolher – das 10h00 às 19h00 -, todas as crianças do concelho e arredores, não houve descanso possível. Às mais de cinquenta actividades profissionais, culturais, desportivas, sociais e artísticas que os mais pequenos puderam experimentar juntaram-se a música, a dança, as visitas guiadas, a caça ao tesouro, os insufláveis, a equitação ou o teatro – é caso para dizer que os pequeninos fazem cidades muito divertidas e muito agitadas.
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No espaço das profissões, encontravam-se médicos dedicados a passar receitas muito importantes, enfermeiros vestidos a rigor davam “picas” ou tratavam feridas com aprumo. No atelier de arquitecto nasciam projectos de casas de sonho, quase sempre tão coloridas como a imaginação das crianças. Mas como nem só de trabalho se faz o mundo, o espaço do ourives produziu centenas de jóias feitas por mãos pequeninas que as levaram para casa ou usaram nas festas que se podiam fazer ali mesmo ao lado – a tocar um instrumento, a cantar ou a dançar como um profissional.

Sendo impossível descrever tudo o que as crianças andaram a fazer ao longo do dia, resta referir que houve quem apagasse fogos ou subisse ao slide dos bombeiros para salvar vitimas imaginárias, que alguns pequenos socorreram bonecos com dificuldade em respirar, que outros montaram em tendas no relvado, que muitos passearam a cavalo, que os jogos de futebol ou o treino para karateca e para atleta não pararam ao longo do dia e que o circuito de bicicletas recebeu tantos ciclistas como a escola de trânsito recebeu condutores, que houve quem provasse os cocktails de frutas e quem transformasse meias antigas, mas lavadinhas, em fantoches de olhos grandes, houve quem levasse para casa balões em forma de gato ou estrelas penduradas de fios mágicos.