O ministro do Ambiente congratulou-se com a recuperação da qualidade da água do Tejo junto a Abrantes, que atribuiu às medidas adoptadas nos últimos dez dias, e anunciou o reforço da remoção dos sedimentos na barragem do Fratel.

João Matos Fernandes falou no final da cerimónia em que foram assinados, no Centro de Alto Rendimento de Desportos Equestres, na Golegã, projectos aprovados para a Desobstrução, a Regularização Fluvial e o Controlo de Cheias em vários pontos do país, a maior parte dos quais respeitantes a infra-estruturas existentes nas margens do Tejo (num investimento total de 5 milhões de euros, dos quais 3,9 de fundo aprovado).

O ministro afirmou que, depois dos valores de oxigénio registados no passado dia 24 de Janeiro na barragem do Fratel, de 1,1 miligramas por litro (muito próximo do ponto em que não é permitida vida), os 7 miligramas por litro registados na terça-feira revelam que as medidas adoptadas nos últimos 10 dias fizeram “todo o sentido”.

“Neste momento temos uma qualidade da água a caminho de boa, já dentro dos padrões normais, mas os dados dizem que nesta altura do ano já deviam estar nos 9 miligramas por litro. De 1,1 temos 7, a recuperação foi muito boa e estou muito optimista com o que fizemos e com o muito que temos para fazer”, disse.

Matos Fernandes afirmou que vai agora ser “aumentada a capacidade para remoção dos 12.000 metros cúbicos de sedimentos que têm origem na industria da celulose que estão na albufeira do Fratel”, uma “intervenção complexa, de grande cuidado ambiental” e que, “com a consequente monitorização”, permitirá reduzir “muito significativamente a probabilidade de acontecimentos como estes se voltarem a repetir”.

Frisando que, nos últimos 25 anos, o caudal do Tejo se reduziu em praticamente 25%, o ministro afirmou que, tal como foi anunciado pelo primeiro-ministro, António Costa, no parlamento, as licenças passadas às empresas vão ser “adaptadas à capacidade do rio”, o que vai acontecer já no final de março para as “10 maiores instalações que podem poluir o Tejo”.

O responsável do Governo pela pasta do Ambiente referiu os 72 milhões de euros que estão a ser investidos na reparação e construção de novas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) ao longo do rio, “já com um grau de execução bastante elevado”, o que, disse, mostra que o seu Ministério está a trabalhar sobre esta questão “há muito tempo”.

Matos Fernandes apontou ainda o aumento dos pontos de recolha de amostras no Tejo, que subiram de quatro para 14 “a funcionar em pleno”.

“Portanto, conhecemos o que está a acontecer no Tejo e só fizemos o que fizemos porque sabíamos o que estava a acontecer”, disse, frisando que não era possível imaginar a quantidade de sedimentos que se acumularam no fundo da albufeira de Fratel desde o inicio do turbinamento para produção de energia e que em parte provocaram o fenómeno de poluição mais recente.

Sobre a licença da Celtejo, o ministro afirmou que a revisão da sua capacidade incidirá sobre o valor original e não sobre a licença precária, que em 2016 triplicou a capacidade de descarga enquanto decorriam as obras da nova ETAR, em fase de conclusão, e sobre a qual foi imposta uma redução de 50% depois do incidente de 24 de Janeiro.

Foto: LUSA/Paulo Cunha