Acordeonista virtuoso, Flávio Bolieiro começou muito cedo a interessar-se pela música. Escolheu acordeão um pouco por acaso: o seu pai queria aprender e convidou-o a ir com ele. Rejeitou num primeiro momento mas, depois de experimentar, ficou convencido. Depois de oito anos no Conservatório de Música de Santarém, onde adquiriu “a maior parte da bagagem musical” que hoje possui, Flávio dá aulas, actua em concertos, participa em inúmeros projectos musicais e quer fazer a licenciatura e o mestrado em Acordeão.

Com que idade começou a tocar acordeão? Como chegou ao instrumento?

Comecei aos 11 anos. O meu pai quis ir aprender, era um sonho de criança, e convidou-me para ir com ele. Eu disse que não gostava e não quis ir… passadas umas semanas, pedi-lhe para ir experimentar e foi até hoje.

Quais são as influências mais marcantes no universo musical?

Astor Piazzolla, mas sobretudo a Música Portuguesa em geral.

A formação no Conservatório de Música de Santarém é decisiva para o seu percurso?

Claro sim, foi onde adquiri a maior parte da bagagem musical que tenho hoje, e que muito devo a todos os professores, mas em especial ao meu professor de Acordeão, Vítor Mira.

Sentiu dificuldades ao longo do seu percurso por tocar um instrumento invulgar?

Ainda sinto essa dificuldade, na maior parte das vezes por a sociedade achar que o Acordeão é apenas para tocar música tradicional, e não fazem ideia das suas potencialidades.

E esta continua a ser uma das minhas grandes lutas, e de alguns colegas. Felizmente, que temos evoluído bastante nessa área, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Além do acordeão, que outros instrumentos lhe despertam o interesse?

Guitarra Portuguesa, violino e piano.

Quais são os seus objectivos futuros na área da música?

Em primeiro lugar, fazer a licenciatura e o mestrado em Acordeão. Depois, continuar a leccionar e a criar novos talentos, continuar os projectos em que estou envolvido e avançar para novos projectos. E um dos meus sonhos, daqui a algum tempo, será um projecto com reinterpretações de músicas portuguesas a solo.

Em que projectos está actualmente envolvido?

Actualmente, integro um sexteto, os Vórtice Project (em que interpretamos o Álbum Abbey Road dos The Beatles na íntegra, 3 guitarras portuguesas, violino, Viola, Acordeão e a meio do espectáculo tudo muda e passamos para uma formação de guitarra portuguesa, bateria, violino, 2 guitarras eléctricas e Acordeão/ Teclado), um Duo João Correia & Flávio Bolieiro (Viola e Acordeão, baseia-se em World Music) e Trio Tradicional (Guitarra portuguesa, Viola e Acordeão, com a sua essência na Música portuguesa).

O que mais aprecia nas pessoas?

Sinceridade.

O que detesta nelas?

Falta de profissionalismo.

Lema da vida?

Nada se consegue sem esforço, dedicação e paixão.

Viagem de sonho?

Caraíbas.

Se pudesse alterar algum facto da História de Portugal qual alteraria?

Má gestão económica.

Prato preferido?

Lasanha.

Livro de cabeceira?

Uma folha pautada e um lápis.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Não.