ultimaJoão Luís Pereira Maurício acaba de lançar o livro “Os Sapateiros da Benedita”, uma obra que pretende preservar esta “memória colectiva”. O autor nasceu na Benedita, em 1949, fez a sua formação académica nas áreas dos Estudos Portugueses e das Humanidades nas Faculdades de Letras de Coimbra e de Lisboa e no pólo de Braga da Universidade Católica. Licenciado em Língua Portuguesa e História de Portugal- Via de Ensino, pela Universidade Aberta, é professor aposentado e autor do livro: “Percurso de um Sonhador – Apontamento para uma biografia do Padre Dr. Fernando Bernardino Machado Maurício, 1928-1963” – editado em 2010.

O que o motivou a escrever o livro “Os Sapateiros da Benedita e a sua história”?

Os velhos sapateiros da Benedita estão a desaparecer e a memória colectiva está a perder-se. Como escreveu o Padre Fernando Guerra Ferreira, o meu livro veio “colmatar uma lacuna”. Maior elogio não há.

O que é que o inspirou?

Sou filho de um antigo comerciante de solas e cabedais e, portanto, conheci um pouco do sector.

Onde encontrou a informação para a sua pesquisa?

Foi em bibliotecas, arquivos e com base em alguns depoimentos orais.

Actualmente, o sector do calçado contribui positivamente para o saldo da balança comercial portuguesa. Considera importante olhar para o passado para compreender o caminho percorrido?

Não é possível construir o futuro sem conhecer o passado.

Tem outros projectos em carteira que gostaria de dar à estampa?

Escrever o II volume “Os Sapateiros da Benedita e a sua história”.

O que mais aprecia nas pessoas?

A Humildade.

O que detesta nelas?

O Cinismo.

Lema da vida?

Ser optimista.

Viagem de sonho?

Tenho uma filha a trabalhar no Dubai. Na próxima visita, vou aproveitar para ir até Irão. É mesmo em frente, do outro lado do Golfo Pérsico …… Em 1971, comemoraram- se os 2.500 anos da fundação do Império Persa. Ora, o Irão herdou essa História e isso é fascinante.

Se os sete pecados fossem oito, qual seria o oitavo?

A estupidez.

Se pudesse alterar algum facto da História de Portugal qual alteraria?

Sou republicano, mas considero o assassinato de D. Carlos uma nódoa na  História de Portugal. O rei viveu num tempo conturbado, mas era um homem de cultura. Não merecia aquele fim. Um ato bárbaro.

Prato preferido?

Cozido à Portuguesa, mas por questões de saúde, não posso abusar.

Livro de cabeceira?

O País das Uvas, de Fialho de Almeida, escrito em 1893. Um livro cheio de adjectivos, com uma linguagem rica. Na minha opinião, um verdadeiro hino à natureza.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Fui aluno do Prof. Malaca Casteleiro, um dos grandes defensores do Acordo Ortográfico. Concordo com as teorias do Mestre. Sou a favor. O Acordo não é perfeito, mas é vantajoso para a nossa língua falada por mais de 250 milhões de pessoas.