Alexandre da Silva Telhada nasceu em Figueiró dos Vinhos em 1840. Este comerciante fixou-se em Santarém no ano de 1872 onde constituiu a firma comercial e instituição bancária, Alexandre da Silva Telhada & Irmão, três anos mais tarde. Aí “fazendo partilhar da sua grande fortuna adquirida em tantos anos de labor comercial todos os que a ele recorriam, o seu nome era sempre registado no alto de todas as subscrições quer eles representassem a mitigação da miséria alheia ou tivessem por fim concorrer para o brilhantismo ou engrandecimento da cidade”(CE, 2/2/1907, p.3).

A 21 de Janeiro de 1901 tomou posse como vice-presidente da Câmara Municipal de Santarém, num período em que o presidente era Joaquim Luís Martins. Também se manteve ligado ao associativismo escalabitano sendo presidente durante vários anos da Associação Comercial e sócio auxiliador dos Montepios Artístico sob a Invocação de Nossa Senhora da Conceição (1863-1921) e de Nossa Senhora do Carmo (1870-1921), antepassados do Montepio Geral. A Associação de Classe dos Empregados no Comércio de Santarém (1898-1938) elegeu-o sócio honorário.

O banqueiro e comerciante adquiriu e reabilitou as habitações que constituíam o bairro Laurentino e mostrou interesse em construir novas casas para arrendar às classes populares e mais desfavorecidas.

Alexandre da Silva Telhada morreu às duas horas da madrugada de 31 de Janeiro de 1907, após se sentir indisposto. O corpo foi velado na igreja do Salvador pela família e pelos numerosos empregados do defunto. O funeral, a cargo da agência de Luís Maria Machado, fez-se para o jazigo de família no cemitério dos Capuchos. António Mendes Cabral, José Cardoso da Silva e António da Conceição Ferreira dirigiram o funeral enquanto o padre João Rodrigues Ribeiro guardou a chave do caixão. À porta do cemitério distribuíram- se cerca de quinhentas esmolas de cem réis.

Ironia do destino, a sobrinha Maria da Conceição Telhada que o socorreu na noite fatídica do seu passamento, faleceu de escarlatina a 25 de Abril desse ano, com apenas vinte e sete anos de idade. Esta era irmã de José João Telhada e Manuel João Telhada e cunhada de João António da Silva.

A Casa Telhada, gerida por Manuel João Telhada, foi liquidada em 1933, num processo que se arrastou pelos anos seguintes.

teresa 31-1-17

Bilhete-postal da Firma Alexandre da Silva Telhada & Irmão para a viúva de João Pedro Sérgio, Santarém, 13/1/1902. Fonte: www.delcampe.net