Eduardo da Clara Rosa Mendes nasceu em Santarém a 22 de Dezembro de 1906, sendo filho de Maria Rita da Clara Rosa Mendes (1862-1947) e do republicano natural da Vidigueira, Francisco Rosa Mendes Júnior. Desta união nasceram outros dois filhos o pintor Faustino Rosa Mendes (1899-1935) e o tenente José Rosa Mendes.

O ano de 1930 revelou-se trágico na sua vida ao perder a sua noiva de vinte e dois anos, Maria Ferreira Rosado vítima de tuberculose, a 25 de Março e o pai, a 13 de Novembro. Pelo meio, o pintor e sargento do Batalhão de Ciclistas ficou noivo de Maria Violante Pereira da Silva (1903-1983), filha de Ezequiel da Silva, residente na Atalaia, no início de Outubro desse ano. O casal fixou residência no Entroncamento e, em 1933, já tinha nascido o seu filho primogénito, Francisco Alberto. No final desse ano a família Rosa Mendes instalou-se em Santarém.

O seu irmão Faustino faleceu a 27 de Abril de 1935 deixando um “vazio artístico” na família Rosa Mendes. Por isso, Eduardo passou a encarar a pintura com mais empenho e responsabilidade. Os seus primeiros trabalhos datam de 1932 com destaque para as aguarelas com que decorou a sala onde se realizou uma festa na Escola Agrícola de Santarém. Entre os seus mestres encontravam-se João Saavedra Machado (1887-1950), Mário Augusto (1895-1941) e António Saúde (1875- 1958) de passagem por Santarém enquanto professor do Liceu.

A sua primeira exposição de desenho e aguarela decorreu no Salão da Comissão de Iniciativa em Santarém, entre 4 e 18 de Outubro de 1936. A inauguração esteve a cargo do governador civil, do presidente da Câmara e do presidente da Junta Geral de Distrito e contou com vinte e sete obras que revelavam um promissor paisagista. No entanto, “faltava-lhe ainda o estudo, aplicação e o conhecimento que são indispensáveis para se classificar devidamente” (CE, 10/10/1936, p. 8). No final da exposição, Eduardo ofereceu um dos seus desenhos ao jornal Correio da Extremadura. Desta exposição, a Câmara Municipal de Santarém adquiriu as aguarelas “A Caminho da Fonte”, “Palacete” e “Paisagem com Três Árvores”. Neste período, Rosa Mendes era redactor do jornal Notícias do Entroncamento e viu aprovado o seu “artístico projecto para a guarnição de um talhão do cemitério do Entroncamento reservado aos Combatentes da Grande Guerra” (CE, 31/10/1936, p. 6).

A 10 de Fevereiro de 1937, nasceu o seu filho João Faustino que foi baptizado na igreja de Santa Maria de Almoster, seis meses depois, apadrinhado por João e Isaurinha Silva Louro. Em Julho desse ano, aderiu juntamente com José Serrão Faria ao Grupo dos Amigos do Museu e Obras de Arte de Santarém projecto liderado por Zeferino Sarmento (1893-1968).

Em Dezembro de 1937, Eduardo Rosa Mendes, apesar de doente, inaugurou uma exposição de pintura na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, onde eram visíveis os progressos na sua técnica. A 22 de Fevereiro de 1938, foi submetido a uma cirurgia em Lisboa, pelo médico Manuel de Vasconcelos. Em Março já se encontrava em convalescença em Santarém. Em Dezembro de 1938, fixou residência em Lisboa pois encontrava-se a prestar serviço em Caçadores 5. A 9 de Junho de 1940, Eduardo Rosa Mendes apresentou uma exposição no Salão da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, em Santarém, inaugurada pelo capitão Manuel Veloso, chefe de gabinete do ministro da Justiça. Das trinta obras apresentadas destacava-se a aguarela sobre papel “No Açude Santa Maria de Almoster” que foi adquirida pela Câmara Municipal de Santarém. Nesta aguarela já utilizava as tonalidades verdes e ocres que se tornaram uma constante da sua criação artística.

A referida aguarela foi alvo de uma menção honrosa pela Sociedade Nacional de Belas Artes, no ano seguinte. Em Janeiro de 1947, Eduardo Rosa Mendes expôs no Salão de Turismo de Santarém paisagens dos arredores de Santarém e dos Açores quer a óleo quer a aguarela. Das obras expostas, ofereceu um óleo no valor de 950$00 para ser leiloado a favor dos Bombeiros Voluntários de Santarém. O quadro esteve exposto na casa Scalabis onde podia ser licitado. A 25 de Março desse ano, faleceu a sua mãe. Seis meses mais tarde, Eduardo Rosa Mendes esteve em Santarém após ter recebido a distinção da terceira medalha em aguarela na exposição do Estoril. Neste período o crítico de arte Luís Teixeira elogiou a obra do pintor num artigo publicado no jornal Diário Popular.

O pintor esteve presente no Salão de Primavera de 1948, na Sociedade Nacional de Belas Artes, onde apresentou “Clareira” (Atalaia de Almoster) e duas paisagens de recantos pitorescos de Lisboa. Segundo Rebelo Bettencourt o pintor já tinha “encontrado o seu caminho sendo um artista em plena ascensão” (CR, 17/7/1948, p. 10). A 2 de Outubro de 1948, Eduardo Rosa Mendes apresentou novamente uma exposição no Salão da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, em Santarém, inaugurada pelo governador civil substituto, major Júlio Gomes de Carvalho. A mostra contava com cinquenta obras entre óleos, aguarelas e alguns desenhos a lápis e mereceu uma crítica do historiador e amigo Joaquim Veríssimo Serrão publicada no Correio do Ribatejo, de 9 de Outubro de 1948. Em Dezembro desse ano, Rosa Mendes concorreu com trabalhos seus para a exposição do Círculo Mário Augusto.

Em Janeiro de 1949, Rosa Mendes foi entrevistado pela Rádio Renascença onde se definiu como “um clássico embora a cor que me sugestiona seja moderna”. Entre os seus pintores de referência encontravam-se António Saúde, Frederico Aires, João Reis, Mário Reis, Falcão Trigoso, Armando Lucena, Domingos Rebelo, Ramos Ribeiro, Eduarda Lapa, José Ribeiro, Carlos Ramos, Silva Lino e Jaime Murteiro.

No final do ano de 1950, o pintor recebeu a terceira medalha no Salão de Inverno da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, prémio que repetiu em Dezembro do ano seguinte. Em 1951, Rosa Mendes ilustrou a capa do livro de Joaquim Veríssimo Serrão, Santarém História e Arte, uma edição da Comissão Municipal de Turismo de Santarém. Entre os seus projectos para 1952 encontrava- se uma exposição de óleos e aguarelas juntamente com Mário Reis, a realizar na Primavera no Ultramar. Nesse ano, a 18 de Outubro, inaugurou uma exposição no Salão da Caixa de Crédito Agrícola de Santarém. Em 1953, fez a sua primeira exposição individual em Lisboa. A 20 de Abril de 1954, recebeu a segunda medalha de pintura a óleo do Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas Artes.

No início de 1957, Rosa Mendes fixou a sua residência na quinta do Joanicas, próxima do Cartaxo, após abandonar a carreira militar, para se dedicar à pintura e à agricultura. Nasceu o “artista lavrador” como lhe chamou Raúl Rego. As exposições mantiveram-se assim como os prémios: primeira medalha de pintura a óleo do Salão da Primavera da Sociedade Nacional de Belas Artes (1959), primeiro prémio do Salão de Artes Plásticas da Casa do Ribatejo (1961), prémio de honra do Salão de Artes Plásticas Ribatejanas (1962) e o primeiro prémio da Junta de Turismo da Costa do Sol (1963).

A 30 de Abril de 1960, o presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, Francisco Nogueira Freire inaugurou uma exposição de óleos de Rosa Mendes, na Biblioteca Marcelino Mesquita. Em Agosto desse ano, o pintor expôs, a convite da Comissão de Turismo na Nazaré, motivos ribatejanos e da praia onde passava habitualmente férias. Entre 25 de Maio e 10 de Junho de 1963, expôs no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários, em Santarém. A 18 de Março de 1971, o governador civil de Santarém, Bernardo Mesquitela inaugurou uma exposição na Casa do Ribatejo, em Lisboa. Entre 22 de Março e 6 de Abril de 1974, Rosa Mendes expôs 50 telas na Galeria Castilho, em Lisboa.

Para Florindo Custódio, “a sua obra de maturidade, não obstante o eremitério das Joanicas, releva-lhe uma qualidade apreciável, uma grande espontaneidade e segurança da pincelada e da sua técnica de touches e de empastes espatulados, uma representação da luz, que transmitem o encanto da paisagem portuguesa” (Homenagem no Centenário do Nascimento do Pintor Eduardo Rosa Mendes, catálogo, 2007, p. 7).

Eduardo Rosa Mendes faleceu de enfarte a 24 de Julho de 1983 na sua quinta do Joanicas, o seu “Refúgio do Artista”. A sua mulher sobreviveu-lhe apenas 12 horas ao morrer de colapso. O velório e funeral do casal realizou- se simultaneamente, sendo sepultados em campa comum no cemitério de Almoster.

Teresa Lopes Moreira 

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