arleteArlete Piedade Louro acaba de lançar o segundo volume do livro ‘Olhares de Saudade’, escrito em co-autoria com João Furtado. A obra retrata a saga de emigrantes cabo-verdianos “que das suas ilhas vêm para Portugal e aí se encontram e misturam as suas vidas e culturas, com os emigrantes portugueses, que ou dão o salto para França, ou preferem partir para as grandes cidades, para trabalhar na indústria e construção civil na década de setenta do século passado”. 

Segundo a autora, neste segundo volume, os dramas adensam-se e envolvem a descendência dos casamentos e relações estabelecidas pelos personagens ao longo do primeiro volume, onde as diferenças raciais, culturais e interrelacionais, “deram origem a segredos e tramas criminosas, que se revelam em mares de lágrimas e banhos de sangue”. 

Em que altura da sua vida descobriu a vocação para a escrita? 

Na escola primária, mas só comecei a escrever há cerca de quinze anos, por incentivo de amigos encontrados na Internet.

O que a motivou a lançar o 2º volume da obra ‘Olhares de Saudade’? 

O 1º Volume ficou com a história por terminar, num ponto de suspense construído para suscitar o interesse dos leitores, e muitos deles manifestaram vontade em conhecer o desfecho, pelo que escrevemos o segundo volume, ficando desde já a promessa para a continuação no terceiro volume.

Como foi a experiência de escrever um livro a ‘quatro mãos’? 

Uma experiência fantástica, que me permitiu conhecer não só um irmão espiritual, mas um povo que me acolheu como uma filha pródiga que regressa a casa, ao ponto de muitos cabo-verdianos, estarem convencidos que sou uma deles, pela maneira como os descrevo e á sua forma de estar na vida.

Onde foi buscar a inspiração para este livro? 

A inspiração vem de múltiplas histórias de vida e de emigrantes que me contaram e conheço, bem como da escrita do meu parceiro João Furtado, pois cada vez que ele me enviava os capítulos que escrevia, o enredo que ele construía inspirava-me a continuar e a desenvolver, pois se ele me surpreendia, eu sentia-me motivada para o surpreender igualmente, com o desenrolar da acção.

Que mensagem pretendeu transmitir? 

A mensagem inicial era através das experiências vividas pelas nossas personagens, darmos a conhecer a cultura, usos e costumes dos nossos povos, e fazer uma comparação entre eles. Mas essa mensagem inicial, está muito enriquecida e alargada, com os dramas entretantos vividos pelas personagens, que fomos buscar á própria vida quotidiana, como o tráfico de droga, por exemplo. A mensagem no fundo é nunca desistir de sonhar e sempre encontrar razões para persistir na luta pela felicidade.

Quais são as suas grandes referências literárias? 

Luís de Camões, Alexandre Herculano, Júlio Dinis, Eça de Queiroz, José Saramago, Walter Scott, Robert Heinlen, J.R.R. Tolkien, Charles Dickens, Dan Brown e muitos outros. Eu devorava livros, colecções inteiras, desde que comecei a ler, começando pelos livros juvenis de há cinquenta anos, como os da Enid Blyton, e tantos que é difícil recordar todos.

Considera que o hábito da leitura pode revelar talentos literários? 

Sim sem dúvida.

Acredita que um livro pode mudar a vida de uma pessoa? 

Acredito sim e posso dizer que isso aconteceu comigo.

Que outros projectos tem na forja? 

A nível literário, tenho um livro de poesia pronto para rever e publicar, um livro de contos que inclui contos de Natal, infanto-juvenis e ficção científica. Também tenho para escrever o volume três de Olhares de Saudade, e um romance biográfico sobre a vida de uma pessoa especial. A nível associativo, relançar a minha associação de que fui uma das fundadoras, a U.L.L.A.-União Lusófona das Letras e das Artes, que tem estado parada devido a problemas de doença da sua presidente, para ajudar artistas de todos os ramos, a expandirem as suas carreiras e actividades.

Um título para o livro da sua vida? 

Nunca desista dos seus sonhos.

Viagem? 

Brasil sem dúvida.

Música imprescindível? 

A nossa. O Fado.

Quais os seus hobbies preferidos? 

Escrever, caminhar, conhecer pessoas e as suas histórias de vida.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria? 

Nunca teria existido a Inquisição.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria? 

Ficção científica

O que mais aprecia nas pessoas? 

A inteligência

O que mais detesta nelas? 

A estupidez.

Acordo ortográfico. Sim ou não? 

Sim mas com uma revisão de fundo, pois a língua sempre tem que evoluir de acordo com os tempos, mas há que pensar bem e não fazer alterações que desvirtuam o sentido de algumas palavras e expressões.

Download PDF