Francisco Camilo é um apaixonado pela pintura e pelo desenho. Foi durante a sua licenciatura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa que descobriu o gosto pelo grafitti, uma forma de arte de rua que, na sua perspectiva está a ter cada vez mais aceitação por parte das pessoas.

Como foi o início desta actividade e o que lhe despertou o interesse pelo graffiti?

Desde pequeno que quero e gosto de pintar e desenhar. Na escola secundária fui para artes e ia fazendo alguns cursos de pintura fora da escola… mas foi quando fui para Lisboa licenciar-me, que comecei a grafittar lado a lado com outras pessoas à noite. Antes disso, já sentia uma enorme curiosidade pela street art [arte de rua]… e sim, começando pelo mais baixo como grafitar comboios (algo que já não faço).

Como foi o processo de evolução para seu estilo pessoal?

Eu próprio ainda não consigo definir isso. Nesta altura do meu percurso ainda não consigo dizer que este ou aquele, são o meu estilo… ando a absorver ainda muitas imagens, muitos conceitos, muitas ideias… quero que este processo seja o mais natural possível. Apesar de a escultura estar a interessar-me cada vez mais também, não consigo desprender-me de outro tipo de trabalhos como a pintura de telas, diversos tipos de ilustração, street art, etc etc… penso que no futuro o meu estilo pessoal poderá ser um híbrido destas várias vertentes.

O que o inspira?

O desconhecido, o impossível… e desejar que uma série de valores humanos se alterem neste mundo.

Qual foi a oportunidade de trabalho que mais lhe trouxe satisfação e em que viu o seu trabalho realmente reconhecido?

Uma que está agendada já para Fevereiro deste próximo ano, dois meses em Los Angeles a convite de uma galeria. Já fui algumas vezes ao estrangeiro pintar e são sempre as melhores aventuras e experiências e onde nos elogiam demais até… mas desta vez as condições de trabalho que me propuseram são fantásticas e penso que esta aventura vai correr muito bem

Desde que começou, até agora, o que mais mudou e o que continua neste tipo de expressão artística?

Penso que o que mais mudou foi a forma como as pessoas encaram este tipo de trabalho, parece que está cada vez menos ilegal… por exemplo, este ano estive a pintar ilegalmente durante o dia e ninguém me chateou, nem mesmo a polícia. O mundo, no geral, esta cada vez mais a par da realidade de um tipo de expressão que tem a capacidade de mutar a cidade com muita rapidez ou de representá-la de uma forma mais crua. Apesar de grafitar há menos de uma década, sinto cada vez mais essa aceitação por parte das pessoas.

O que continua?

O sentido de liberdade e de corrosividade em pintar ilegalmente… realmente o graffitti é muitas vezes uma forma de corroer e intoxicar a cidade com palavras que só se libertam com o anonimato… a legitimidade de dizer algumas verdades pelo anonimato e de forma ilegal, foi algo que o mundo contemporâneo (pós 25 de Abril) trouxe…quer as pessoas queiram quer não.

Quais são as suas referências artísticas?

Neste momento, artistas como Ron English, Matthew Ritchie, Insane 51, Gordon Matta-Clark, Sol Lewitt ou David Cerny são vívidas referências para mim apesar de estar sempre a pesquisar novos autores.

Quais são os seus planos e objectivos futuros com o graffiti?

No futuro pretendo fundir de certa forma o trabalho de street art (pintado) com trabalho de escultura na rua, tudo na mesma obra… moldando um pouco mais a arquitectura para isso. Criar peças artísticas que congreguem várias expressões… fundir de alguma forma a escultura com o graffitti na mesma fachada… é algo ambicioso que já venho a preparar há mais de um ano.

Lema da vida?

Muda a forma como vês as coisas, e as coisas que vês mudam.

Viagem de sonho?

Marte.

Se pudesse alterar algum facto da História de Portugal qual alteraria?

A morte de Francisco Sá Carneiro.

Prato preferido?

Caril de lentilhas.

Livro de cabeceira?

Lobsang Rampa.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Não. Apesar da evolução ser inevitável, nem toda é boa, penso eu.