No próximo dia 6 de Setembro, pelas 21H00, na ALPIAGRA – Feira Agrícola e Comercial de Alpiarça, vai ser apresentada ao público a 2ª edição do livro “Manuel António – A arte de criar um melão”, autoria de Ricardo Hipólito.

Passados que foram seis anos após o lançamento da 1ª edição no Festival do Melão na vila de Alpiarça, a qual rapidamente esgotou, surge agora uma nova versão corrigida e aumentada.

O autor, com base numa entrevista efectuada em 2004 ao seareiro alpiarcense Manuel António Fernandes (entretanto falecido), ‘inventor’ de uma variedade de melão que durante mais de década e meia foi rainha nos campos do Ribatejo, cultivada pelos seus conterrâneos, dá a conhecer (ou recorda) aos leitores como, por volta de 1955, no concelho de Salvaterra de Magos, aquela surgiu, envolta em peripécias e o seu posterior êxito.

Para além do relato desses momentos de selecção das sementes para a criação de uma variedade (completado com entrevistas a outros agricultores), na pequena publicação que volta a ficar disponível, são dadas a conhecer opiniões de diversos meloeiros sobre Manuel António e, particularmente, perante a iminente extinção da variedade já no decurso da primeira década deste novo Milénio, os desenvolvimentos ocorridos para a contrariar, ao que não foi alheio a edição de “Manuel António – A arte de criar um melão” em 2011.

Desde então a variedade “Manuel António” passou novamente a estar inscrita no Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Agrícolas e Hortícolas (de onde tinha sido retirada em 2007), técnicos agrícolas e as autarquias alpiarcenses passaram a interessar-se pela sua salvação e, sem dúvida o dado mais relevante, passou novamente a ser cultivado para comercialização, é certo que ainda em áreas reduzidas.

Com a edição de “Manuel António – A arte de criar um melão”, integrado no projecto editorial “Cadernos Culturais” da AIDIA (Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça), pretendeu-se despertar consciências para a mais-valia, não só para os consumidores e produtores como também para a agricultura ribatejana, que é o implemento da diversidade na produção agrícola. E é disso que se trata como o retorno do melão “Manuel António”.

Com aquela edição foi dado um modesto, mas importante, contributo para a consciencialização das vantagens da salvaguarda da diversidade das espécies agrícolas. Com esta nova edição faz-se uma revisitação a todo o processo.