Póvoa da Isenta, no limite sul do concelho de Santarém, é uma freguesia com cerca de mil habitantes e que beneficia da sua localização geográfica e das suas acessibilidades face às cidades de Santarém e do Cartaxo e também à proximidade com o acesso rápido a Lisboa, pela autoestrada do Norte.

Quase a celebrar 100 anos da desagregação da freguesia de Almoster, com a qual esteve agregada até 1920, é hoje um lugar em crescimento, onde se têm fixado várias famílias que diariamente exercem as suas actividades profissionais em Lisboa.

Muito beneficiada, em tempos, com a empregabilidade que a Estação Zootécnica Nacional (EZN) proporcionou às gentes da Isenta, empregando ali muitas famílias, hoje, estando este organismo estatal a laborar em menor escala, sente-se que a população, embora continue activa, tem de deslocar-se para fora da freguesia para trabalhar.

Não fosse a proximidade à sede do concelho e o cenário seria de certo mais constrangedor em termos de desemprego.

“Indústria não há, houve uma grande pecuária que agora já não existe, tem alguns serviços, supermercados e cafés, uma empresa de publicidade e uma empresa de som com destaque a nível nacional”, enumerou ao Correio do Ribatejo José João Pedro, presidente da junta de freguesia local.

Questionado sobre os pontos de interesse da Póvoa da Isenta, o presidente não hesitou em dizer que “a Isenta está muito bem localizada, mas tirando isso, o nosso ponto de interesse são as pessoas. Também temos um excelente recinto de festas, com todos os equipamentos e até temos uma praça de touros com 200 lugares sentados, mas o melhor são as pessoas”, repetiu.

Márcia Madeira, membro do executivo, realça que “a localização geográfica pode valer o crescimento da freguesia” pois acredita que “é privilegiada e isso é muito importante e há que tirar mais valias dessa situação de proximidade com Santarém, Cartaxo e Lisboa”.

Caso disso é o crescendo de fixação de famílias numa zona nova – Vale de Moinhos, entre a Póvoa da Isenta e Atalaia, lugar também pertencente à freguesia, que já tem várias dezenas de habitações em que “a maioria dos seus habitantes desloca-se para Lisboa para trabalhar”, acrescentou.

Parque infantil é prioridade

Iniciando o mandato em Novembro passado, este executivo já tem desenvolvido algumas acções e actividades com a população, como por exemplo o mercado e concertos de Natal e de Reis com a participação do Círculo Cultural Scalabitano e Conservatório de Música de Santarém.

Márcia Madeira ambiciona que a Póvoa da Isenta seja “uma freguesia com alguma qualidade de vida e que se diferencie em relação a outras freguesias por essa razão. Com mais união entre habitantes e fundamentalmente mais activa”, aponta.

Apesar das dificuldades financeiras José João Pedro assegura: “não nos podemos agarrar a essas dificuldades e deixar de fazer e de participar. Temos de tentar, com os meios e com a muita vontade que temos, fazer com que a freguesia mexa, que as pessoas estejam juntas e participem,” salienta o presidente da junta.

Certos dos constrangimentos e entraves financeiros à construção de obra nova, ambicionam a instalação de um “simples parque infantil” na escola básica. Uma carência à qual “não se pode baixar os braços e deixar de fazer”, referem, esperando  a altura certa para apoios por parte do município e, até lá, “dar algo [à população] que possa substituir a falta destas infraestruturas”, conclui o executivo.

“Não há dinheiro para alcatrão nem cimento, temos de partir para outras actividades que, com poucos custos, se conseguem e fazem a diferença também por aí”, defende José João.

Exemplo disso é o plano anual que estão a preparar, em que se pretende mensalmente ter uma acção diferente em conjunto com as associações da terra. Também estas um “ponto de interesse” segundo o presidente.

“Quando houver oportunidade financeira e apoio por parte da câmara, parte-se então para a obra”, concluiu.

Neste sentido de aproximação à população, tem sido melhorado o espaço do mercado diário, adaptando-o para o recebimento de espectáculos, exposições e workshops.

“Quando foi fundado este mercado, único no concelho com esta topologia, tirando o da cidade – tem lojas exteriores e bancas interiores para venda de frescos – tinha 20 bancas, que hoje são de mais”, constatam.

Por isso o executivo pretende dar ao interior do mercado “novas valências” para fazer outro tipo de eventos, explica o presidente ao Correio do Ribatejo.

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