O urban sketching veio dar uma nova vida à aguarela. Apesar de requerer uma habilidade considerável, a pintura com aguarela possibilita a entrega ao acaso à surpresa: trata-se de um verdadeiro desafio técnico e expressivo. Ana Rita Manique utiliza a técnica para ‘fotografar sem máquina’ locais e ambientes, “tornando o motivo desenhado algo familiar”. Aluna de Artes Visuais na secundária Dr. Ginestal Machado, Ana Rita confessa que hoje, os “sketches” fazem parte do seu dia-a-dia, “funcionando como refúgio”.

O que é que mais a fascina no urban sketching?

O que mais me fascina no urban sketching é o facto de poder contactar directamente com o meio que me envolve de uma forma mais intimista, ficando completamente alienada no que estou a desenhar. O sketch é uma forma de fotografar sem “maquinismos”, apenas a caneta contra o papel, absorvendo cada detalhe que observo no mesmo, tornando o motivo desenhado algo familiar.

Dominar a técnica de aguarela tem sido um processo difícil?

Tudo o que sei de aguarelas, aprendi por tentativa/erro, sendo que cada desenho é sempre uma lição para o próximo. É um processo lento até conseguir dominar por completo as aguarelas, pois há várias componentes a ter em conta. Mas apesar da lentificação do processo, não é difícil chegar a bons resultados desde que haja dedicação.

De onde vem este seu talento para o desenho?

Nunca defendi a ideia de “talento” no uso mais corrente da palavra. Acho que o desenho é algo que todos conseguimos explorar, a questão é se o meio onde nos desenvolvemos proporciona o crescimento da nossa componente artística. Posso sim afirmar que a minha apetência para a artes está comigo desde que me lembro.

Tem alguém na família voltado para as artes?

Sim. O meu pai sempre desenhou e foi quem me impulsionou a desenhar desde uma tenra idade. Na minha infância, eu e o meu irmão fomos inspirados pelo meu pai a explorar áreas mais criativas, através de jogos onde tínhamos que desenhar objectos que víamos (já com estilo de sketch) e copiar personagens de filmes e livros infantis.

Como desenvolveu a sua técnica?

Até agora tenho tido um percurso com diferentes fases até chegar ao “urban sketch”, que me fizeram criar pilares e bases importantes para o estilo de desenho que possuo de momento.

Antes de entrar no secundário, treinei muito a minha capacidade de reprodução do que observava, através de desenhos realistas com um lápis de grafite e uma borracha. Depois no secundário, segui Artes Visuais na secundária Dr. Ginestal Machado, permitindo a mudança da minha maturidade artística. Agora no 12º ano, os “sketches” fazem parte do meu dia-a-dia, funcionando como refúgio.

Qual é o seu tema preferido?

Gosto muito de desenhar panoramas de ambientes em movimento, sejam eles citadinos, campestres ou mesmo dentro de casa.

Qual é o seu local preferido para desenhar?

Como local de eleição para desenhar tenho a Casa dos Patudos, em Alpiarça (local onde vivo). É um local que nunca está totalmente “desenhado”, encontrando sempre mais um detalhe que no desenho anterior não encontrei.

Onde é que as pessoas podem encontrar o seu trabalho?

Neste momento não existe nenhum sítio oficial onde se possa encontrar o meu trabalho, apenas no meu Facebook pessoal ou Instagram. Estou prestes a criar um site com todos os meus trabalhos organizados por materiais e datas, mas ainda estou a organizar tudo.

Há algum artista que a inspira ou inspirou?

A nível de sketch, em todos os encontros de urban sketchers que vou, inspiro- me sempre nos desenhos das pessoas que lá conheço, pessoas que desenham em tempo real o que observam. O Urban sketcher que mais me inspira é o Luís Simões, pois já viajou pelo mundo, desenhando as suas memórias no papel. Noutra área artística, como a pintura, tenho referências como, Paula Rego e João Maria Ferreira (um artista plástico scalabitano).

O que mais aprecia nas pessoas?

O que mais aprecio nas pessoas é sem dúvida a humildade e a bondade. Gosto de conviver com pessoas simples, que demonstrem substância de carácter. Pessoas assim fizeram-me crescer.

O que detesta nelas?

A falta de carácter e a desonestidade. Nos dias que correm, a necessidade de reconhecimento e aceitação social leva muitas vezes à falta de humildade, o que é “servido de bandeja” em excesso nas redes sociais.

Lema de vida?

O meu lema de vida é colocar verdade em tudo o que faço inspirando os outros à minha volta.

Viagem de sonho?

Desde há muito que sonho em viajar pelo Oriente, em especial pela Índia, pois é um país que eleva os sentidos a um expoente máximo.

Se pudesse alterar algum facto da História de Portugal qual alteraria?

Creio que não alteraria nenhum. Além de não possuir muitos conhecimentos acerca da História de Portugal, considero que tudo o que aconteceu até ao presente foi necessário para a construção do nosso país e da nossa identidade como nação.

Prato preferido?

Bacalhau assado com migas.

Livro de cabeceira?

“Um lugar dentro de nós” de Gonçalo Cadilhe.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Não, no meu ponto de vista é apenas mais uma mudança que vai lesar quem aprendeu a escrever da “forma” anteriormente implementada.