Vivemos hoje tempos muito conturbados, onde as crises se multiplicam umas atrás das outras. Atravessámos (ou atravessamos) uma crise  financeira no mundo ocidental, que se propagou a todos os setores da sociedade e que trouxe, como consequência, um acentuar das assimetrias entre classes sociais. No médio oriente a crescente tensão no mundo muçulmano, provocada pelo aumento de violência entre sunitas e xiitas, alastrou-se a todos os continentes, em especial ao Europeu e Norte Americano através de atos de terrorismo perpetuados pelo Estado Islâmico.

Todos estes acontecimentos trouxeram, até nós, uma visão mais populista da ação política; permitindo que algumas das até então consideradas franjas do mapa politico ganhassem força e emergissem nos palcos governativos da atualidade.

Muitos tenderão a dizer que a culpa é dos políticos, e é verdade, mas não só é deles é de todos: das comunidades, da comunicação social e dos atores económicos.

Todos temos permitido que o populismo e a demagogia se sobreponham aos conceitos de ética política como a justiça, responsabilidade, compromisso, respeito pelo próximo, solidariedade, zelo pelo bem público, integridade, honestidade e coragem. Sempre que ação política se limitar a um punhado de palavras demagógicas, brandidas de um púlpito qualquer, ou a uma publicação populista no facebook ou twitter, sem que isso traga uma palavra de compromisso com as populações, responsabilidade na nossa ação do dia a dia, respeito pelo bem-estar comum ou a solidariedade pelos que nos rodeiam, não só estamos a sustentar o desgoverno da coisa pública como alternativa, mas também, e acima de tudo, a matar a nobreza da politica, em que o seu exercício deve ser feito através da responsabilidade dos seus atores e com a consciência que o seu desempenho deve corresponder a um compromisso de integridade, respeito e competência na gestão do bem comum.

A política, na sua verdadeira essência, onde a gestão do Estado é a marca dilacerante entre ideologias, tem, obrigatoriamente, de se traduzir em atos de governo nas organizações ou sociedade onde nos inserimos. A ética política “obriga-nos” a governar para que o futuro seja melhor que o presente; e é junto das comunidades que devemos assumir a nossa responsabilidade e onde a nossa ação politica deve ser escrutinada.

Nuno Serra

Deputado do PSD eleito por Santarém

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