A Orquestra Típica Scalabitana (OTS) foi o tema da XCVII Assembleia de Investigadores do Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, na tarde do passado sábado, dia 16, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém.

No decorrer da sessão, estava prevista a palestra “Análise no Tempo da Orquestra Típica Scalabitana”, por Joaquim Botas Castanho, o que acabou por não acontecer devido à ausência do conferencista, por motivos de doença.

A Assembleia teve como ponto alto a actuação da própria Orquestra que encantou os presentes com novos e antigos temas. Dando início aos trabalhos, Martinho Vicente Rodrigues, director do CIJVS, salientou que a Orquestra “é um dos patrimónios mais elevados da cultura de Santarém”.

Manuel Coelho lembrou o ano de 1946, quando em Azinhaga do Ribatejo, António Gavino decidiu, com mais um grupo de amigos, “falar do Ribatejo através da música”, dando origem à Orquestra Típica Scalabitana.

“Foram muitos os escolhos e percalços já vividos nesta estrada que vimos trilhando, mas em igual número as alegrias e o prazer que sentimos em cada vez que nos é permitido falar e cantar esta terra tão nossa que é o Ribatejo”, afirmou Manuel Coelho.

“Nada nos dá mais prazer que falar cantando as nossas gentes e o nosso horizonte, onde o verde da lezíria é uma constante, e onde sobre o murmúrio das águas deslizantes do Tejo, ecoa o baque surdo dos cascos dos cavalos e dos toiros.

Vivermos as alegrias e tristezas deste chão, rir e folgar durante as adiafas fartas, lamentar quando as cheias galgam as margens do Tejo, lamentos de um Fado que é tão nosso e tão sofrido, contrariados nas festas e romarias onde os cantos alegres se soltam ao compasso de um fandango bem batido, é sobre estes valores que incide o olhar da OTS”, conclui.

Antes, já Luís Rodrigues tinha apresentado o maestro Abílio Figueiredo que agora dirige a OTS.

Iniciou a sua experiência musical na Sociedade Filarmónica Cartaxense, em 1968, com apenas sete anos de idade na qualidade de instrumentista. Depois de cursos de aperfeiçoamento, ingressou no conservatório Regional de Tomar onde completou o Curso Geral de Composição com aprovação às disciplinas de Formação Musical, Acústica e Trombone. Transferiu-se posteriormente para o Conservatório Nacional em Lisboa, concluindo aí o oitavo grau de Formação Musical com a classificação de dezoito valores e História da Música com quinze valores. No mesmo local frequentou o Curso Superior de Composição com o professor Álvaro Salazar. Posteriormente, cursou no Conservatório Regional de Santarém canto e piano com o professor Fernando Serafim e a professora Gilberta Paiva, respectivamente.

Foi elemento fundador do Grupo Coral Alla Brevis do Cartaxo onde permaneceu durante seis anos na qualidade de coralista e colaborador na Direcção Artística.

Entre muitas outras formações na área musical, Abílio Figueiredo dirige, desde 1997, o Grupo Coral Cant’arte da Casa do Povo de Pontével. Dirigiu o Grupo Coral do Circulo Cultural Scalabitano, de 1999 a Julho de 2008 e o Orfeão de Almeirim, Grupo Coral Infantil e grupo de cavaquinhos da mesma localidade, desde Setembro de 2008.

Desde o início deste ano integra a OTS como Maestro e Director Artístico.