entrevista ultima 11-11Diamantino Duarte está há duas décadas na presidência da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santarém, um lugar que diz ocupar por “dever cívico”. Para trás ficaram cargos como os de vereador da Câmara de Santarém, de administrador dos Serviços Municipalizados de Santarém, de presidente da Junta de Freguesia de Tremês e de presidente da União de Santarém. Com uma intensa actividade pública, Diamantino Duarte não esconde o orgulho de presidir a uma instituição com 145 anos de história, que cumpre, na íntegra, o lema: “Vida por Vida”.

O que representa, para si, comemorar 145 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Santarém?

Representa, acima de tudo, olhar para o passado e perceber que nestes 145 anos que a Associação viveu, com o seu Corpo de Bombeiros, sempre respondeu à população do concelho de Santarém e à população do país, em todas as situações a que foi chamada. E isso, para nós é extremamente importante: ao longo destes 145 anos, ultrapassámos muitas dificuldades, nem sempre as coisas correram como desejávamos, mas há uma coisa que temos a certeza: cumprimos na íntegra todas as nossas obrigações para com a nossa população.

Porque é que decidiu aceitar o desafio de presidir a uma associação com este cariz?

Chegamos a alturas da nossa vida em que sentimos a obrigação e o dever de cumprir serviço público. E ser director de uma associação Humanitária não é mais do que isso. É o sentimento de cumprir um dever para com os nossos concidadãos. E, enquanto parte integrante de uma sociedade, todos temos esse dever, de colaborar no que for possível.

Está, desde 1998, na presidência da associação. Que momentos marcantes identifica e qual foi o grande desafio que teve de superar?

Ao longo destas quase duas décadas na direcção da AHBVS, foram muitos os desafios. Estou ligado aos Bombeiros de Santarém há muito tempo: estou desde 1994 como director desta casa e desde 1998 como presidente. Considero que o maior desafio foi mesmo a construção deste Quartel.

O antigo edifício do quartel dos Bombeiros de Santarém, situado no gaveto da Rua Antunes Júnior com a Rua Dr. Teixeira Guedes, não possuía as condições mínimas para trabalhar.

Esta foi uma obra muito importante para a cidade e para a corporação, porque veio dar dignidade e melhores condições de trabalho a estes homens e mulheres. Este foi, sem dúvida, um grande desafio, atendendo à dimensão da obra e àquilo que representa para o concelho porque este edifício foi construído de raiz, na Avenida Joaquim Veríssimo Serrão, na zona de Vale de Estacas, com recurso, exclusivo, a verbas da associação. Isto deveu-se ao grande empenho de muitos homens e mulheres que por aqui passaram ao longo destes anos. Esta obra só foi possível porque utilizámos o património que foi obtido por essas pessoas.

Quais são, neste momento, as maiores dificuldades da corporação?

Temos algumas que se prendem, sobretudo, com questões financeiras. Os apoios que temos não satisfazem a totalidade das despesas. Por isso, todos os meses é preciso encontrar soluções alternativas a este défice e cumprir com os nossos compromissos. Esta casa precisa de quase um milhão de euros todos os anos, um orçamento que não é fácil de obter. Temos uma grande panóplia de serviços que prestamos e é preciso muito dinheiro para manter operacional este corpo de bombeiros. O equilíbrio  nanceiro da AHBVS só tem sido possível porque temos uma equipa directiva e de comando que dá as mãos e sabe ultrapassar estas situações.

Neste momento, qual é a grande prioridade dos BVS?

Para além da sustentabilidade financeira, seria essencial criar aqui um Posto INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica). Esta seria uma forma de dar uma melhor resposta ao socorro que nos é pedido. Os BVS são dos corpos de bombeiros do distrito de Santarém que mais serviços de socorro urgente garantem e isso justi ca uma ambulância de socorro suportada pelo INEM, como já sucede com os Bombeiros Municipais de Santarém.

O INEM continua indisponível para nos atribuir um posto, mas todos os dias continuam a chegar solicitações desse tipo de socorro e nunca recusamos um serviço.

O que lhe parece a intenção do Ministério da Administração Interna integrar os ramos das forças armadas no dispositivo de combate a incêndios?

Eu penso que, neste momento, e atendendo à forma como o combate é feito, todos somos poucos. O essencial é a organização e a redução de custos. Mas convém dizer que essa integração nunca fará diluir o papel que os bombeiros têm no dispositivo. A integração dos militares é uma ajuda, nada mais do que isso. Os Bombeiros Voluntários, no combate a incêndios florestais, contribuem com 95,5% a 96% de recursos humanos, equipamentos e viaturas nos teatros de operações, e são o principal agente no socorro em Portugal, com 98,7% de recursos humanos, equipamentos e viaturas nas operações, e, por isso, merecem ser respeitados.

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