DSC_0252Depois de uma década de interregno, o Restaurante ‘O Quinzena’ vai este ano voltar a marcar presença no Festival Nacional de Gastronomia que arranca no próximo dia 22, representando a região do Ribatejo. “Um motivo de orgulho”, como assume Fernando Batista, proprietário desta cadeia de restauração, que é um dos cartões-de-visita de Santarém.

O Restaurante ‘O Quinzena’ vai representar a região no Festival Nacional de Gastronomia (FNG). Para si, pessoalmente, é um motivo de orgulho?

É um grande orgulho, para mim e para a minha equipa, uma vez que o FNG é um dos principais festivais no País. E o facto de estarmos presentes é também uma mais-valia, tanto em termos de visibilidade desta casa, como em termos de mostra gastronómica. É uma boa oportunidade de mostrarmos aquilo que temos de melhor e o nosso trabalho às pessoas de Santarém e a muita gente que vem de fora.

O Quinzena é um dos cartões-de-visita de Santarém. Que pratos vai levar ao FNG?

Em termos de festival, vamos apresentar uma ementa com os pratos mais típicos do Ribatejo, como é o caso do mangusto com bacalhau assado, entrecosto com arroz de feijoca, o naco de toiro bravo e, para além disso, sopa de peixe e da pedra e as típicas entradas assim como alguns grelhados baseados no naco de toiro bravo, uma carne que cada vez tem mais procura e que nós dominamos em termos de confecção.

…tudo regado com vinho da região?

Claro, como não podia deixar de ser (risos). Aliás, os nossos restaurantes ‘Quinzena’ tradicionais só trabalham mesmo com vinhos da região. Só a Taberna do Quinzena do Santarém Hotel é que apresenta uma carta de vinhos diferente, incluindo oferta de todas as regiões nacionais e de outros oito países.

Qual é a sua opinião acerca do FNG e sobre as mudanças que foram sendo feitas?

O FNG, como qualquer outro festival com muitos anos, tem de se ir aperfeiçoando, aliás, à semelhança do que aconteceu com o Quizena. É fundamental inovar se não corre-se o risco de estagnar e parar no tempo. Não se pode hoje fazer o FNG como se fazia há 30 anos atrás, com uns balcões nas cocheiras… Hoje em dia o festival é mais do que isso. Eu não vou ao FNG há dez anos com o Quinzena, mas, pelo que me tenho apercebido, tem havido uma aposta grande na mudança do festival no sentido de dar a conhecer a região a quem nos visita. Penso que o festival está no bom caminho desde que continue a inovar todas as edições para que não se torne todos os anos a mesma coisa e atraia as pessoas pela novidade.

Os empresários da restauração da cidade geralmente queixam-se que o FNG não lhes trás mais-valias. No seu caso, isso também aconteceu nos anos em que não marcou presença no festival?

Eu penso que a restauração da cidade lucra sempre… no meu caso concreto, não estive uma década no FNG e, felizmente, em todos estes anos, sempre recebi nos meus estabelecimentos pessoas do país inteiro que, ou vinham à tarde petiscar, ou jantavam no FNG e almoçavam aqui. Para mim, o festival, em termos de estar ou não estar presente, foi sempre benéfico. Contudo, acredito que, nalguma restauração que não esteja tão perto do Casa do Campino possa ser pior. Mas é sempre benéfico para a cidade receber eventos desta dimensão, como o FNG ou a Feira da Agricultura.

Qual é a receita para o sucesso da marca ‘Quinzena’?

Na base de tudo está a dedicação. São muitos anos… todos os dias das 8h30 às 2h00. E, depois, não sou eu sozinho que faço este “sucesso”. Tenho uma equipa de quase 80 pessoas atrás de mim que me ajudam a alcançar o objectivo principal que é servir bem o cliente. É essa a nossa intenção diária: é que o cliente venha cá e saia satisfeito. No fundo, temos esta equipa toda a trabalhar para os nossos clientes que são, no fundo, os nossos patrões.

Apostam nos ingredientes nacionais para a confecção dos pratos?

Todos os nossos fornecedores são, regra geral, da zona do Ribatejo. Trabalhamos com produtos com a máxima qualidade para que isso se reflicta no produto que é posto à mesa do cliente. Esse é o compromisso desta casa, embora tenhamos de sacrificar as margens de lucro. A crise, quer queiramos, quer não, ainda está implantada, mas a qualidade do nosso serviço está assegurada.

O IVA ao máximo na restauração também não ajuda…

O IVA e os restantes impostos, para não falar nas fiscalizações cada vez mais frequentes. As fiscalizações são boas, à partida, para que possamos aperfeiçoar, mas quando são em excesso não ajudam nada… O Quinzena tem tido a faculdade de ter inspecções quase mensalmente… Felizmente temos tudo em dia e recebemos bem as inspecções. Em termos do IVA, em concreto, 23 por cento representa cerca de 1/4 daquilo que é facturado ao cliente: numa refeição de dez euros, 2,3 € ficam para o Estado. Penso que é uma carga fiscal muito grande. Apesar de não ser fácil, até hoje temos conseguido suportar. Temos pouca margem de manobra. Temos que contar as coisas até ao tostão e trabalhar de forma a que nada se desperdice.

Prefere cozinha tradicional ou a chamada ‘Nouvelle cuisine’?

Prefiro claramente a tradicional. Prefiro as sopinhas da avó (risos). Tudo o que é caseiro e tradicional é melhor, na minha opinião, e foi isso que me levou a abrir espaços take-away nos hipermercados para que as pessoas, que hoje em dia têm uma vida agitada, possam desfrutar nas suas casas de uma boa refeição típica sem perderem tempo.

Prato preferido?

Em termos de Ribatejo, é o naco de toiro bravo. Em termos nacionais, é o cozido à portuguesa.

Lema de vida?

‘Vive um dia de cada vez’.

Qualidade que mais aprecia nas pessoas?

Simpatia, sinceridade e amizade.

O que mais detesta nelas?

Baterem-me nas costas a dizerem que são meus amigos agora e daqui a bocado estarem a dizer mal de mim noutro lado.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Desde que as pessoas se entendam umas com as outras, tudo bem (risos).

 

*Texto publicado em edição impressa de 16 Outubro