Beatriz Bento Neto e os irmãos João Pedro e José João Fernandes Duarte são os três mais jovens elementos do Rancho Folclórico do Bairro de Santarém. A sua apresentação pública aconteceu no dia 17 de Junho, no decurso do 33.º Festival de Folclore que o grupo de Fontaínhas e Graínho promoveu.

Demonstrando a sua vitalidade, o Rancho do Bairro ‘baptizou’ estes três novos e bem jovens elementos que, desta forma, se predispõem a dar continuidade ao sonho de Celestino Graça que por alturas da Feira do Ribatejo, em 1956, viu o grupo apresentar- se pela primeira vez ao público, e, desde então, continuar fiel intérprete das danças, cantares e trajes típicos desta região.

“Eu cresci a vê-los dançar, uma vez que sou sobrinha do ensaiador do grupo mas comecei a ver o folclore de outra maneira aos 10 anos de idade”, explicou Beatriz Neto, a mais velha dos três, mas com apenas 14 anos de idade. Aluna da Escola básica 2,3 Alexandre Herculano, onde frequentou o 9.º ano, reconhece que os colegas da escola, por vezes, “agem como se não soubessem o que é” fazer parte de um rancho folclórico, no entanto, afirma, “outros dizem que talvez entrem um dia”.

“O folclore para mim é a transmissão de tempos passados e é uma tradição que na minha opinião não deve ser extinta”, assegura de forma convicta.

Desde cedo que lhe passaram a mensagem da importância que Celestino Graça teve para o surgimento dos ranchos folclóricos da região: “para mim foi um dos maiores defensores das nossas tradições”, frisa.

“Eu quando decidi entrar [para o Rancho do Bairro] fui dançar, mas, com o passar do tempo, percebi que gostava mais de cantar, mas claro, gosto de tudo: das danças, dos trajes e das músicas”, salienta Beatriz Neto que prefere a música pop e que tem como hobbies, a leitura, jogar computador, andar de patins e desenhar.

E tempo para isso tudo? A resposta veio célere: “Para mim há sempre tempo para tudo”.

João Pedro, de 8 anos de idade, e José João Duarte, com 13, são dois irmãos que entraram agora para o Rancho do Bairro. Aluno do 2.º Ano da EB1/JI de Fontainhas, João Pedro gosta de folclore, mas também de ginástica. Começou a interessar- se pelo folclore “vendo os ranchos a dançar”.

Apreciador de rock, kisomba e música electrónica, foi fácil a escolha pelo folclore, segundo o próprio: a arte de “dançar, cantar e representar as pessoas de antigamente”. Destas, João Pedro prefere as danças. “Os meus amigos dizem que é muito engraçado eu pertencer a um Grupo Folclórico”, comentário que não o afasta deste seu interesse pela etnografia da região e pelo trabalho de Celestino Graça “fundador de alguns ranchos de Santarém”, explicou ao Correio do Ribatejo.

O irmão, cinco anos mais velho, mas apenas com 13, junta a paixão do folclore à prática do radioamadorismo: “O folclore começou para mim quando o grupo foi fazer uma apresentação na minha antiga escola”, lembra o aluno do 8.º Ano da Escola Alexandre Herculano. Para ele, o folclore é “uma recriação do passado” e permite-lhe igualmente “conhecer pessoas novas e visitar sítios novos.”

José João Duarte tem no seu círculo de amigos outros jovens que também pertencem a outros grupos folclóricos, e muitos que lhe perguntam “o que é que se faz lá”, informa.

Quando lhe perguntámos quem foi Celestino Graça, o jovem elemento do Rancho do Bairro não hesita: “Celestino Graça foi um defensor do folclore português, formando vários grupos, incluindo o nosso”.

Apaixonado pelos trajes e os usos e costumes do antigamente, este recém elemento do grupo tem os gostos de outros jovens da sua idade: “música electrónica, um pouco de rock, um pouco de tudo”, remata. Três jovens elementos que incluem o Grupo Infantil – o garante da continuidade do folclore nas Fontaínhas e Graínho, concelho de Santarém.

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