Duas medalhas de ouro e uma de prata enfeitam as gaiolas de doze pequenos e coloridos mandarins que Gaspar e José Brogueira, da Golegã, levaram no final de Janeiro ao Campeonato Mundial de Ornitologia em Itália.

“Conseguimos que todas as aves que levámos a este campeonato fossem medalhadas”, disse Gaspar Brogueira à Lusa, não escondendo a satisfação com o resultado alcançado pelos pequenos mandarins que cria com o pai, na residência deste, na Golegã (distrito de Santarém), num evento que contou com a participação de mais de 32.000 aves de 4.000 criadores de 28 países.

As medalhas conquistadas pelos “Mandarins Brogueira” (três equipas com quatro aves cada) contribuíram para o sexto lugar conquistado por Portugal no 66.º Campeonato Mundial de Ornitologia, que decorreu em Cesena, Itália, de 18 a 21 de janeiro, onde 132 criadores nacionais receberam um total de 62 medalhas de ouro, 50 de prata e 32 de bronze, nas várias classes.

Com cerca de 200 aves, 40 casais a procriar na procura incessante de conseguir exemplares que atinjam os exigentes parâmetros de avaliação dos concursos, Gaspar e José Brogueira não escondem o gosto pelo desafio que está por detrás da seleção que lhes tem vindo a proporcionar crescente sucesso nos concursos em que participam desde 2007, primeiro a nível regional, depois nacional e, a partir de 2012, mundial.

“Ter um bom plantel de reprodutores é garantia de sucesso nas exposições”, frisou Gaspar Brogueira, que atribui ao conhecimento acumulado pelo pai ao longo dos últimos 30 anos grande parte do reconhecimento que têm alcançado.

José Brogueira, chefe da PSP no vizinho concelho de Torres Novas, começou a interessar-se pela columbofilia aos 12 anos, ‘hobby’ que abandonou quando teve que ir cumprir o serviço militar.

Quando voltou, trocou os pombos pelos canários, até que o interesse do filho, “mordido pelo bichinho” já depois de rumar a Lisboa, o levou para as aves exóticas, a que se dedicam em exclusivo desde 2017.

É Gaspar, engenheiro informático que regressa aos fins de semana à Golegã, que pesquisa e estabelece ligações com outros criadores, apurando as formas de cruzar estas aves originárias da Austrália, criando “mutações” com diferentes cores e desenhos de plumagem.

Dos pequenos ninhos feitos de corda, que são postos em caixas inseridas nas gaiolas onde são colocados os casais para reprodução, saem por estes dias minúsculos seres que os pais mantêm aquecidos, depois de os chocarem durante 13 dias.

“Esta é uma raça muito apurada”, afirmam Gaspar e José Brogueira, explicando como, à partida, sabem “o que sai” quando cruzam determinado macho com determinada fêmea e como conseguem identificar o sexo nos seres minúsculos que partilham um ninho.

A participação nos concursos exige “mil cuidados”, porque as aves têm que estar de boa saúde, o que exige atenção extrema com a alimentação e suplementos vitamínicos, para que se apresentem com vivacidade e plumagem impecável, pois penas ou unhas partidas são motivo para desclassificação.

Até o grau de limpeza é avaliado, pelo que, na deslocação, esse é um fator que é tido em conta nos pormenores com que é montada a caixa onde as aves são transportadas e que tem que garantir que não falta alimentação nem água.

“Para o concurso em Itália foram duas semanas de viagem. Têm que estar de muito boa saúde para aguentarem”, frisou José Brogueira.

O próximo desafio é conseguir fazer o pleno de medalhas de ouro no campeonato do mundo de 2020.

“Em 2016 tivemos uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze. Este ano mantivemos a de ouro, subimos a de prata para ouro e a de bronze para prata, só falta que esta passe também a ouro”, disse Gaspar Brogueira, não escondendo que o grande objetivo é, na próxima década, participar na “maior exposição de mandarins do mundo”, que se realiza na Holanda.