“Salticos e as cenouras” marca a estreia literária de Mafalda Bernardes da Silva, natural de Santarém. Lançado recentemente com a chancela da ‘Alfarroba’, trata-se de um livro para crianças, construído a partir da experiência de mais de dez anos como educadora de infância, e de todos os livros que utilizou na sua actividade profissional e do filho que tinha meses quando escreveu a obra, que venceu o “Prémio Lusofonia 2014” no Concurso Lusófono da Trofa.

É Educadora de Infância. Essa experiência influenciou-a na escrita para crianças? De que modo?

Influenciou bastante. Desde que me lembro que gosto de escrever mas ao iniciar a minha actividade como educadora apaixonei- me por este género literário e comecei a perceber quais os livros infantis com mais qualidade. Desta forma, procuro escrever o que sei que vai ao encontro dos
interesses das crianças.

O que a motiva a escrever para crianças?

O que me motiva é, por um lado, a importância dos livros e das histórias no desenvolvimento das crianças e, por outro, o momento mágico que é contar-lhes uma história e vê-las entrar no imaginário da mesma.

De que trata o livro “Salticos e as cenouras”?

Salticos é um coelho muito distraído que, aos pulos pelo campo fora, tenta repetir a mesma frase para não se esquecer do que tem que fazer: “Lá vou eu a saltitar muitas cenouras vou apanhar!” Mas tudo à sua volta o desencaminha, temos que chegar ao fim da história para perceber se consegue atingir o seu objectivo ou não.

Quais foram as inspirações e os objectivos ao escrever esta obra?

As inspirações foram a minha experiência de mais de dez anos como educadora de infância, todos os livros que utilizei na minha actividade profissional e o meu filho que tinha meses quando a escrevi. Ao início o único objectivo era escrever e melhorar a minha escrita, foi nesta altura (há cerca de quatro anos) que fiz um curso de escrita para crianças e comecei a arriscar escrever a sério para esta faixa etária.

Para si, um livro pode ser um objecto mágico?

Para mim um livro é um objecto mágico que nos permite ir a todo o lado (real ou imaginário) sem sair da nossa casa ou sala de jardim-de-infância. Também pode ser um instrumento de muitas aprendizagens.

Livro infantil que se preze deve ter uma “moral da história”?

Na minha opinião, não. Livro infantil que se preze deve levar as crianças para um mundo mágico onde podem dar largas à imaginação. Para mim um livro infantil deve divertir, deve ser agradável para a criança e aguçar-lhes o gosto pela leitura. Claro que alguns poderão ter uma “moral da história” mas não é de todo essencial. Pessoalmente gosto de ler histórias que me distraiam e não que me dêem lições, acredito que as crianças também.

Onde e quando é que gosta mais de escrever?

Não tenho um horário ou local específico para escrever, apenas é necessária a vontade, inspiração e tranquilidade à minha volta. Tal como quando comecei a escrever, escrevo primeiro o rascunho num caderno onde risco e volto a escrever e só depois melhoro a história no computador.

A melhor parte da escrita é ver o livro publicado?

Embora o processo de imaginar a história também seja maravilhoso, pensei que a melhor parte seria mesmo ver o livro publicado. Depois, descobri que afinal a melhor parte da escrita é poder contar a minha história às crianças e ver a sua reacção, perceber pela sua atenção e participação naquele momento que gostam da história e que esta as diverte. É o sentimento de dever cumprido.

O que sentiu ao vencer o “Prémio Lusofonia 2014” no Concurso Lusófono da Trofa?

Uma grande felicidade. Não estava de forma alguma a pensar que iria ganhar o prémio, enviei a história dois anos depois de a ter escrito sem nenhumas expectativas. Foi a confirmação de que o trabalho que fiz tinha qualidade e o incentivo, de que necessitava, para arriscar mais.

Tem outros projectos literários em carteira?

Tenho, como eu costumo dizer, “na gaveta” uma outra história que escrevi na mesma altura que o Salticos e que acabei por não enviar para o concurso mas estive na dúvida entre as duas até ter mesmo que me decidir. Pretendo dar a oportunidade às crianças de a conhecer também após o Salticos ter tido o seu tempo de atenção. Tenho também um outro projecto: “Exploralentejo” (www.exploralentejo.com) onde dou a conhecer às crianças, com as suas instituições ou famílias, o Alentejo (onde vivo agora). Já comecei a escrever algumas histórias que vão acompanhar este projecto, juntando aos percursos histórias com informação sobre os mesmos.