Esta semana Portugal foi confrontado com uma tragédia nacional, com a morte de 64 pessoas na sequência de um incêndio florestal, o mais mortífero da história do país.

O incêndio de Pedrógão deixou-nos a todos consternados, indignados, incrédulos! Como foi possível que tamanha tragédia tenha acontecido? Foi efectivamente uma causa natural? O que falhou para que tantas pessoas acabassem encurraladas numa estrada em chamas? Os nossos primeiros pensamentos estão por isso, inevitavelmente, com as vítimas e com as famílias enlutadas, às quais devemos prestar a mais profunda solidariedade.

E estão também com quem continua, desde a primeira hora, a combater o incêndio: Bombeiros, Proteção Civil, Forças Armadas, Forças e Serviços de Segurança, Autoridades Municipais e da Segurança Social.

Este é um momento de união e coesão, mas não podemos deixar de, depois de passada a tormenta, exigir perceber o que correu mal, como tudo aconteceu, para evitar que situações idênticas voltem a acontecer. Haverá um momento para, também no parlamento, todas as questões serem colocadas. E o CDS irá empenhar-se nessa tarefa.

Não obstante, algumas vozes se têm levantado nos últimos dias especulando sobre as causas de tamanha tragédia e não tardou a que surgissem vários doutos ‘especialistas’ identificando logo um dos principais culpados: o eucalipto! Pergunto-me várias vezes como podem estes comentadores opinar tão seguramente sobre matérias sobre as quais mostram tamanha ignorância?! É de facto preciso acalmar os ânimos, não há boas decisões tomadas a quente.

A tragédia já suficientemente grande para que seja necessário encontramos um bode expiatório. Não podemos esquecer que o nosso modelo de sociedade foi alterado – acabaram os rebanhos de cabras a pastar nos campos, não há quem recolha os matos para atear as lareiras e os fornos, a população saiu das aldeias e foi procurar melhor vida nas cidades…

Quereremos voltar a esses tempos?

A floresta menos vivida é uma inevitabilidade que não podemos ignorar. Resta-nos encontrar alternativas que permitam uma redução da carga combustível (ou seja, dos matos) de forma a que, quando houver um incêndio – porque é uma utopia pensarmos que podemos acabar definitivamente com os fogos – se consiga eliminar rapidamente, com o mínimo de danos possível.

Pessoalmente, não acredito que, como afirmou o ministro Capoulas Santos, a Reforma das Florestas preconizada pelo actual Governo tenha ‘a solução para o problema’. Julgo até extremamente arriscada a afirmação do ministro. Se a receita fosse fácil, já outros a teriam descoberto!

Uma coisa é certa: resolver um problema estrutural como o da nossa floresta, com graves problemas de fragmentação, de escala e de rentabilidade, não é tarefa para uma, mas sim para várias legislaturas. O que não podemos é andar de 4 em 4 anos a desfazer o que foi feito para anunciar medidas novas.

A floresta portuguesa precisa e merece estabilidade nas políticas e sobretudo, de incentivos, nomeadamente benefícios ou alterações fiscais, sejam a Conta de Gestão Florestal que o CDS apresentou no parlamento (e foi chumbada), ou a Reforma do IRS e do IRC que o Governo anterior fez. Se não perspectivar um rendimento ou um benefício, o proprietário florestal com meio ou um hectare não irá nunca investir na sua floresta, pois sentirá apenas que está a gastar dinheiro.

Patrícia Fonseca

Deputada do CDS-PP eleita por Santarém