Candido AzevedoA pedido de muitos amigos, leitores do Correio do Ribatejo, volto a trazer escritos meus a este simpático semanário com quem colaboro, de uma forma pouco assídua, há mais de três décadas. – Conta novidades dessas terras longínquas por onde andaste estas últimas décadas … têm-me solicitado esses amigos. Isto, seguramente, pelo gosto que despertou nos leitores do CR as minhas crónicas narradas na coluna “Portugueses pelo Oriente”, nos anos de 2009 e 2010. Pois bem, correspondendo a tal pedido, optei por não me limitar apenas aos nossos antigos territórios da diáspora oriental. Desta vez trarei sim “novas de terras e gentes” de todo o antigo Império Português, por onde, qual nómada, passei mais de meio século. Fá-lo-ei ao jeito de “sabia que…?”, que apelem à curiosidade e interesse do leitor, e certamente para alguns, para um melhoramento do seu conhecimento geral.

Assim, qual roteiro “pelas malhas do antigo Império”, e acompanhando espacialmente os passos a partir de Ceuta e até Timor, passando pelo Brasil, pequenas, curiosas, verdadeiras e despretensiosas histórias aqui serão contadas, iniciando logo com Ceuta. Estas pequenas histórias, na sua diversidade, têm como fontes, não só obras de reconhecidos cronistas de outrora, e aqui enumero apenas alguns, tais como Damião de Góis, Diogo de Couto, Fernão Lopes de Castanheda, Fernão Mendes Pinto, Gaspar Correia, Gomes Eanes de Azurara, João de Barros, bem como em historiadores de hoje como Alberto Germano da Silva Correia, Amâncio Gracias, António da Silva Rego, Charles Boxer, Cunha Rivara, Luís Filipe Thomaz, Manuel Teixeira, Maria Mártires Lopes, Videira Pires, ou ainda trabalhos de antropologia colonial de eméritos antropólogos e etnógrafos como Ana Maria Amaro, António de Almeida, Bragança Pereira, Mendes Corrêa, ou ainda relatos de alguns viajantes estrangeiros e portugueses, como Harriet Low, Lopes Mendes, Osório de Castro, Peter Mundy, Pietro della Valle, Pyrard de Laval, entre outros, que visitaram os nossos territórios coloniais em intervalos mais ou menos regulares entre os séculos XVII e XIX, relatos esses pormenorizados e pitorescos sob diferentes perspectivas da vida rural e urbana de colonos e colonizados. Foram também consultados, porque monumentais, livros e dicionários de História de Portugal de ilustres autores como Damião Peres, Fortunato de Almeida, Joel Serrão, Oliveira Marques, Oliveira Martins, Veríssimo Serrão e tantos outros, e em alguns casos, relatos da persistente observação deste aprendiz de historiador, também ele ainda caminheiro desse enorme Império de então, onde o Sol nunca se punha.

Essas pequenas histórias da nossa grande História de Portugal no Mundo, cinquenta no total, visará o reencontro da História com o grande público, principalmente o público jovem, que dela se tem mantido divorciado, porque a desconhece ou porque não lhe é ensinado. A narrativa dessas pequenas histórias, enredará o leitor na verosimilhança da memória, não raro obrigando à recordação de factos já por si conhecidos, mas trazendo sempre algo de novo e de curioso.

Cândido Azevedo