Pernes é uma povoação muito antiga, mesmo anterior à fundação da Nacionalidade Portuguesa, pois vem já referida no relato da conquista de Santarém aos Mouros, onde se diz que D. Afonso Henriques acampou com as suas tropas antes do assalto a Santarém, no local onde hoje existe a Igreja Matriz, tendo o próprio Rei mandado ali construir uma capela caso tivesse sucesso na sua conquista do planalto escalabitano.

Ocupa cerca de 14 quilómetros quadrado e tem cerca de 1500 habitantes. Já foi sede de concelho entre 1514 e 1855.

Conhecida pela sua indústria da madeira, em especial pelos torneados, outrora grandes impulsionadores económicos da freguesia, “hoje em dia apenas tem uma empresa a trabalhar a madeira dos famosos torneados de Pernes, sendo que os maiores empregadores são a Santa Casa da Misericórdia e os Bombeiros Voluntários”, disse ao Correio do Ribatejo, o presidente da Junta de Freguesia de Pernes, Luís Emílio Duarte.

“No início do século XX Pernes era reconhecida pelo seu empreendedorismo, com a instalação da Fábrica da Energia Eléctrica e outros avanços que foram em parte consequência da expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal e que fizeram com que se fixasse na vila um italiano (Pedro Schiappa Pietra) que desenvolveu a actividade da serralharia,” frisou o autarca.

Luís Emílio Duarte lembrou ao Correio do Ribatejo que no final desse século houve um declínio desta actividade industrial e ainda foi feito um estudo pela NERSANT (Associação empresarial da região de Santarém) que apontava alguns caminhos para as empresas de torneados, como a criação de uma associação empresarial que ajudasse as empresas na compra das matérias primas e na promoção da venda dos produtos finais. Essas medidas não foram bem aceites pelos empresários na altura, situação que pode ter contribuídos para o desaparecimento da quase totalidade destas empresas.

Na educação, Pernes tem a escola básica D. Manuel I (2º e 3º ciclos) que integra o agrupamento de escolas D. Afonso Henriques, juntamente com a escola básica de Alcanede. Segundo Luís Emílio Duarte, nesta área, “a maior lacuna é o facto de não existir pavilhão desportivo em nenhum destes estabelecimentos de ensino, sendo este o único agrupamento no concelho ainda sem esta infraestrutura, o que limita a prática desportiva dos alunos em recinto escolar”, sendo uma das ambições do executivo, solução que até pode ser conseguida em conjunto com a mesma necessidade por parte do Atlético Clube de Pernes.

Atravessada pelo rio Alviela, Pernes “tem uma zona ribeirinha, outrora muito importante no desenvolvimento local, que está em completa ruína e sem o devido aproveitamento fruto do abandono desta zona devido à poluição do rio”, realça o presidente da freguesia. Onde haviam moinhos e fábricas hoje apenas existem muros caídos e mato, situação que em muito constringe os locais.

Localizado numa ilha formada pela bifurcação do rio antes das quedas de água está o Mouchão Parque, uma referência para a freguesia e que precisa de uma remodelação das suas instalações. Sofreu obras de melhoramento exterior na consolidação das cascatas e nos acessos, mas o parque em si continua ao abandono há décadas. Luís Emílio Duarte alega que “houve a expectativa da construção de um espaço novo e moderno mas isso não aconteceu, não passou de uma ideia”. Contudo para este espaço “é ambicionada a realização de um projecto em parceria com técnicos da autarquia para posterior candidatura a fundos comunitários, para que se possa devolver a dignidade a este espaço”, concluiu.

O desenvolvimento económico é a chave do crescimento da vila. No início do século XX empregava cerca de 600 pessoas na sua indústria, hoje isso está longe de ser alcançado, mas há a esperança de que a instalação da zona de desenvolvimento económico possa ser uma realidade.
Como informou ao Correio do Ribatejo o presidente da junta de freguesia, “existe um terreno adquirido para o efeito desde 1992 pela Câmara Municipal de Santarém e é muito importante que se avance com algo pois é preciso criar condições para que as empresas de Pernes cresçam e para que novas empresas venham a instalar-se ali”, criando mais oportunidades de trabalho e desenvolvimento.

Veja o vídeo: