RTPA infeliz actuação dos Forcados na última Corrida da RTP, realizada na Póvoa de Varzim, veio despoletar alguma controvérsia em torno deste tipo de espectáculos que, devido ao facto de serem transmitidos televisivamente exigem – ou deveriam exigir! – maior cuidado na elaboração dos respectivos cartéis. Obviamente, não pretendo fazer um juízo de valor sobre a actuação dos Grupos de Forcados, que em regra foi medíocre, nem sobre a empresa organizadora da corrida, que já demonstrou em anteriores oportunidades competência para montar cartéis mais apelativos e, em princípio, mais fortes.

O que critico, e com veemência, é a estratégia do canal televisivo público no que concerne à sua relação com a tauromaquia, pois, não se lhe conhece acção que tenha em vista a sua genuína divulgação, a sua responsável salvaguarda e a sua louvável dignificação. Sem tirar nem pôr!

O facto de a RTP transmitir algumas corridas de toiros por temporada não significa que se esteja a promover a Festa Brava, pois, na maioria dos casos apenas se transmitem as Corridas da Casa de Pessoal da RTP, para proverem receitas que financiem o Clube de funcionários da estação televisiva e radiofónica, pelo que o interesse assenta sempre na elaboração de cartéis baratinhos – se calhar alguns toureiros até vão pelas despesas! – pelo que o interesse taurino é na maioria das vezes limitado.

Antigamente – Ai que saudades! – havia uma “Corrida TV” que era um dos melhores cartéis do calendário taurino nacional, e para qualquer toureiro ou Grupo de Forcados integrar este cartel era significado do reconhecimento de qualidade e de competência, pois, só entravam os melhores. Por isso as Corridas TV, a par da Corrida da Renascença, ou, anteriormente, da Corrida da Imprensa, alcançaram tanto prestígio. Agora anda-se aos saldos…

Acresce que, então, havia uma Corrida TV por ano, enquanto agora há a Corrida TV Norte, a Corrida TV Beiras, a Corrida TV Algarve, a Corrida TV…, enfim, um disparate autêntico!

A RTP, como canal televisivo público, tem a obrigação – pelo menos, moral! – de transmitir algumas corridas de toiros em cada época, mas não têm que ser apenas as Corridas TV. A Casa do Pessoal deveria organizar uma Corrida RTP, com um cartel forte, como era hábito, e a Direcção de Programas da RTP, por seu turno, negociaria a transmissão de corridas de outras praças e de outras organizações, mediante a oportunidade das respectivas datas e o interesse dos respectivos cartéis, numa estratégia de “mostrar ao mundo” o que de melhor existe na tauromaquia portuguesa. Isto sim poderia servir para promover a Tauromaquia, mesmo sabendo que nada garante que um cartel de luxo proporcione uma corrida de sucesso. Porém, aquilo que se mostrou na última corrida TV Norte, não foi muito meritório.

Se, por acaso, a RTP pretendesse divulgar a Tauromaquia portuguesa manteria na sua grelha de programas um magazine semanal de informação taurina, na linha do que era tão bem produzido por José Cáceres, e destacava para as transmissões televisivas alguns repórteres que fossem uma mais-valia para a produção televisiva, em si mesma, mas, igualmente, para a tauromaquia, em vez dos actuais profissionais que apenas servem para apoucar a Festa, por tão manifesto desconhecimento e por tão espalhafatoso registo jornalístico. Enfim, vamos de mal a pior!

LM

*Texto publicado em edição impressa de 24 Julho