paulo narciso 5 miniNa anterior edição entrevistámos Ludgero Mendes na qualidade de director do Festival Internacional de Folclore ‘Celestino Graça’ e presidente do Grupo Académico de Danças Ribatejanas, promotor do evento que hoje começa. Fizemo-lo porque nos orgulhamos de contribuir para a promoção de acontecimentos que há muitas décadas entraram para a história desta cidade.

Neste final de semana, essa mesma história cumpre-se de novo e Santarém – acredito – abrirá os braços a esse reencontro.

A interessante e esclarecedora entrevista aborda, em traços gerais, os principais aspectos que constituem a azáfama/aventura de fazer subir ao palco um evento desta dimensão, a sua mudança para a carismática Casa do Campino e a falta de um instituto de âmbito nacional que aprecie a nossa etnografia, o nosso folclore, no fundo, valorize a nossa identidade.

Contudo, há um aspecto que a entrevista não aprofunda e que é bom que esta cidade não esqueça. Quando se fala em “honrar compromissos” na altura de cumprir com os elevadíssimos encargos que este evento encerra (cerca de 30 mil euros) Ludgero Mendes aparece no topo da lista e há muitos anos que assim é. Por vaidade própria? Nada disso! Pelo honrar do compromisso de preservar a memória de Celestino Graça e o seu legado.

Seria importante que Santarém se mobilizasse e viabilizasse financeiramente este Festival que corre o risco, já para o ano, de deixar de ser Internacional, desvalorizando-se perante o CIOFF – Conselho Internacional de Organizações de Festivais de Folclore e Artes Tradicionais – o que é pena. Deve-se a Ludgero Mendes a continuidade deste Festival e isso tem de ficar escrito, para memória futura, e muito me apraz que seja nesta coluna de opinião que aqui assino.

Santarém devia orgulhar-se bem mais de ter, há 56 anos, um Festival Internacional de Folclore. Coisa de somenos importância dirão os que viram as costas à preservação das nossas mais enraizadas tradições que só se mantêm devido ao amor e dedicação dispensados por homens e mulheres desta cidade que teimam em fazer uso da memória e a prezam, na preservação dos nossos mais ancestrais usos e costumes.

Honra lhes seja feita.

João Paulo Narciso

 

PS: Existe uma Liga de Amigos do Festival Celestino Graça. Para aderir só tem que preencher uma ficha e pagar 10 euros por ano. O objectivo é conseguir uma rede de amigos que ajude a financiar parte dos encargos com o festival.