paulo narciso 5 mini“O Pessimismo é excelente para os
Inertes,
porque lhes atenua o desgracioso
delito da Inércia”
Eça de Queirós,
in ‘A Cidade e as Serras

 

O Verão em Santarém continua quente.

Quente é, também, sinónimo de animado, e há quem teime em torná-lo menos solitário para os que por cá ficam, sem tempo ou dinheiro para espraiar o corpo, apenas os olhos, a partir do varandim das áridas Portas do Sol.

Trago a este ‘Ponto final’ as sábias palavras de Eça para vos dizer que o Verão de Santarém está herculeamente a lutar contra esse pessimismo da inércia.

Esta semana fui convidado para uma viagem de autocarro turístico pelas ruas da Cidade. O que é banal, há anos, em muitas cidades, ou até vilas, Santarém, terra que se diz turística, conseguiu-o a 15 de Julho de 2015, para os próximos dois meses.

Esta acção concertada pela cultura, pelo nosso prazer de sermos Santarém, tem merecido alguma resposta dos que acreditam que ainda é possível salvar-nos do pessimismo da inércia de que nos fala Eça em ‘A Cidade e as Serras’.

O esforço é imenso e vai muito para além de um mini-autocarro que nos passeia por ruas e almas de portas (ainda) fechadas, muitas delas.

Os pessimistas continuam a preferir contar a cómoda história da ‘pescadinha de rabo na boca’ quando se referem aos cafés fechados por não haver clientes e aos potenciais clientes, chocados por não haver cafés abertos.

Assim, para abandonar de vez este dilema, Santarém precisa de um urgente compromisso: um simples ‘Eu vou porque acredito!’ E, meu caro Eça, se todos acreditarmos, a partir do nada teremos uma cidade cheia: cafés abertos, teatro nas ruas que entretanto foram (re) calcetadas e limpas ao som da música dos nossos músicos, da poesia dos nossos poetas, dos aplausos das nossas e das gentes que nos visitam, servidas pela simpatia dos nossos comerciantes, longe da inércia de outros tempos, em que até os mais pessimistas se admiram de verdade, por Santarém ter conseguido ser, verdadeiramente, um espanto! Pela sua história, mas muito mais pelas pessoas que são hoje o presente e o futuro desta Cidade, muito para além deste Verão, quente e animado, Santarém, só por si, merece.

João Paulo Narciso

*Texto publicado em edição impressa de 17 Julho