paulo narciso 5 miniA Cidade das Tradições, promovida no passado fim-de-semana pelo INATEL, contou com a presença dos eternos resistentes da nossa Imprensa Regional. O Correio do Ribatejo esteve nesse grupo restrito (mas não fechado) de Jornais que dobraram a barreira dos cem anos. Disponíveis num quiosque móvel que a Associação Portuguesa de Imprensa disponibilizou, foi bonito de ver os visitantes procurarem os títulos que lhes eram mais queridos, consoante a sua naturalidade. Foi o caso de Vítor ‘Fani’, natural de Pernes, há longas décadas a viver em Lisboa, que depressa puxou por um Correio do Ribatejo: “Este é o meu!” – assegurou, ao lado de outros que puxavam pelo ‘Reconquista’, pelo ‘Diário do Sul’, pelo ‘Voz de Trás-os-Montes’, pelo ‘Açoriano Oriental’…

 

Em tempo de assinalarmos as Jornadas Europeias do Património, este interesse pela Imprensa que é parte integrante da nossa História é amanhã celebrado na não menos histórica tipografia do Correio do Ribatejo, onde, mais uma vez, recordaremos o trabalho dos tipógrafos que deram os primeiros passos neste projecto contínuo de preservação da nossa história colectiva através da imortalidade das palavras escritas, num ontem distante apenas no papel, olhados, hoje, numa era digital, através de sítios na internet, redes sociais e aplicações no telemóvel.

Convido-vos pois, a estarem connosco, amanhã, sábado (16h00), entre estas quatro paredes, onde o director do Museu Nacional de Imprensa abordará o tema “Património da Imprensa: desafios para o ‘país de Gutenberg’”. Luís Humberto Marcos procurará demonstrar que “o exemplo centenário do Correio do Ribatejo mostra aquilo que podemos fazer em termos de preservação do património material e imaterial, relacionado com o jornalismo e as artes da impressão.”

Procuramos fazer por isso, mas precisamos sempre de quem nos leia, de quem nos reconheça o esforço, de quem queira escrever connosco esta história interminável que se chama Correio do Ribatejo, um Jornal para toda a família, “de todos e para todos os ribatejanos”. Há quase 125 anos que assim é.

João Paulo Narciso

*Texto publicado em edição impressa de 25 Setembro