Quero acreditar que o Natal não se esgota num Dezembro frio e seco.

Quero acreditar que o tempo da concórdia, do presentear, do estar à mesa com todos se celebra também nos restantes onze meses do ano que agora finda.

2017 trouxe-nos o bom e o mau. Afinal, extremos que se tocam na nossa vivência diária.

Deixem-me acreditar que todas as lembranças que dei neste Natal foram bem mais do que simples papéis de embrulho e que os laços de fitas multicores nos cingem ainda, agora que o tão querido Natal já se foi.

Custa-me ouvir que Dezembro é o mês do afecto, da solidariedade, da entreajuda, como se amar fosse uma moda sazonal. Como se o bem só se ouvisse quando se escutassem os sinos do pai natal ou das barulhentas renas travestidas de carrinhos de supermercado que no nosso imaginário o anunciam.

Quero ter a certeza que após a longa caminhada dos Reis, as árvores de Natal voltam ao baú do sótão lá de casa, mas a fraternidade fica, luminosa, no mesmo canto da sala, ao lado do televisor que nos anuncia o bom e o mau de cada dia.

Retirem os enfeites, desmanchem os presépios, apaguem as luzes, mas mantenham viva a esperança e o alento que Dezembro nos dá e Janeiro nos roubará se não acreditarmos que o Natal se celebra doze meses num ano.

O Correio do Ribatejo quer a vossa companhia em todos os momentos deste 2018 que já se anuncia. Desejamos, neste cruzar de ano, continuar a merecer o vosso afecto. Tentaremos ser melhor Jornal, mais atento, solidário, coerente convosco e com nós próprios, ajudando a construir uma região positiva, feliz, nataliciamente orgulhosa da sua gente, em todos os segundos destes próximos 365 dias.

Bom Ano Novo!

João Paulo Narciso