O Cemitério encheu-se de gente ao princípio da tarde de terça-feira, 9 de Janeiro.
Filas de automóveis brigavam por um lugar naquele Largo dos Capuchos, pequeno para receber todos quantos quiseram recordar a data.
Junto à campa rasa, um cordão de braços guardava espaço para as entidades discursarem, enaltecendo Celestino Graça, no dia em que este completaria 104 anos de vida.
Representantes das mais importantes instituições da Cidade, do Município, de Grupos Folclóricos, da Escola Agrícola, da Misericórdia, jovens e menos jovens, toureiros de uma “Praça das Revelações e das Consagrações”, ninguém quis esquecer mais este dia de lembrança.

Cumpriu-se na terça-feira, 9 de Janeiro, 104 anos sobre a data de nascimento de Celestino Graça, um dos mais insignes ribatejanos, cuja obra, pela sua relevância e grandeza, ainda hoje é referencial em toda a região.

O céu chorou as ausências e a chuva apagou do bloco de notas do Jornalista parte do seu texto. Salvou-se apenas uma folha seca no bolso do casaco que aqui recordo, a abrir este texto, apenas como sonho acordado de quem gostaria que fosse verdade o que ali escreveu a sonhar.
Mas não. A este ‘Ponto Final’ trago-vos um redundante sofisma, escrito em itálico, por ser sonho, verbo e mentira.

Já são poucos os que recordam Celestino Graça.
Muitas “revelações” que este Ribatejano ajudou a consagrar já se esqueceram como começaram e quantas ‘portas grandes’ Graça lhes abriu, dando rumo ao seu principesco caminho.

No Largo tarifado de memórias dos Capuchos, são poucos os que deixam moeda para assistirem à exaltação dos reais valores deste nosso Ribatejo.
Enquanto existir, o ‘Correio do Ribatejo’ será o garante da salvaguarda destes momentos, em folhas de papel ou em páginas digitais que resistirão às lágrimas em forma de chuva que ensopa as memórias de verdade, inscritas nos blocos dos seus Jornalistas.

Por vezes, penso o que seria Celestino Graça com o recurso às ferramentas tecnológicas dos nossos dias. Quantos lhe dariam os parabéns no Facebook, quantos descarregariam a sua APP, quantos lhe mandariam um e-mail a confirmar a sua presença nesta data festiva. Quantos gostos!

Hoje, efeméride é a palavra certa, mas efémera é a memória dos Homens.
Contudo, sejamos positivos e acreditemos que continuará a haver sempre quem se lembre e registe, quem crie um ‘evento’ e assinale, ‘on-line’ ou em papel de verdade, a passagem pela face terrena de Homens que lutaram pela sua Terra, de forma apaixonada e crentes no futuro.
O tal futuro que hoje, já presente, muitos esquecem.

João Paulo Narciso