paulo narciso 5 mini  .

Sou um devoto do voto. Do voto que em consciência boto na urna taciturna e oca, de tão vazia. Não ir votar faz-me azia. Acho que quem não vota não merece ter voto na matéria. Devia, isso sim, fazer um voto de silêncio e calar a fúria e a castidade da leviandade que aniquila quem só desbota e já não vota. Não bate a bota com a perdigota dizer-se: “os outros que votem por mim!”, frase feita que debota quem se alheia e pontapeia com a ponta da bota a devoção a um País. Alhear-se do voto é alienar o porvir. É por isso que eu voto, para que o meu voto vote! Para que sinta que perdi ou que ganhei, mas que votei, de corpo inteiro! Participar é escolher votar. Mesmo esfalfado e empanzinado, votar é afirmar um País e poder reclamá-lo como seu, enquanto alma devota do seu voto. Seja ele qual for, noto, que seja voto!
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Os olhos dos tipógrafos voltaram a brilhar de contentamento ao verem a velha Minerva do Correio do Ribatejo voltar a imprimir, nas Jornadas Europeias do Património. Continuamos a apostar neste avivar de memórias pois só compreendendo o que fomos conseguiremos construir um sólido amanhã e viver o hoje com a grata satisfação do dever cumprido. A caminho dos 125 anos, aceitamos o desafio que Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional de Imprensa, deixou em Santarém: transformar Portugal no ‘país de Gutenberg’ e o nosso Jornal, num dos templos sagrados onde a impressão do velho e do novo tempo se funde.

Um obrigado muito especial a todos os que trouxeram, de novo, o FITIJ à Cidade de Santarém. São uns heróis do nosso tempo, rude e frio. O FITIJ aqueceu Santarém. As ruas nocturnas da cidade ganharam vida nas esplanadas repletas de artistas fora de horas. Valeu a pena. Santarém, cidade de Santareno e de Viegas, soube ser palco das Artes e do Mundo. Que não se apague a luz a este reencontro.

João Paulo Narciso

*Texto publicado em edição impressa de 2 Outubro