paulo narciso 5 miniSegundo consta, temos agendados os jogos União da Madeira-Benfica (16h00), F. C. Porto-Belenenses (18h15) e Sporting-Vitória de Guimarães (20h30) para 4 de Outubro, dia de Eleições Legislativas em Portugal.

Assim sendo, permitam-me a ironia, não há razão para alimentar tanta polémica: instalem-se televisores nas mesas de voto (com a Sport TV, claro); quando o sinal não for bom, vote- se com rádio na mão e auscultador no ouvido; grite-se ‘golo!’ enquanto se desenha a cruz que a emoção do momento cuidará que fique fora do quadrado; levem-se as urnas às bancadas dos estádios (pode ser que assim a abstenção baixe enquanto a emoção sobe!) …

Felizmente que os altos interesses do futebol estão defendidos… Na verdade, o que ‘apenas’ está em causa é, tão-somente, decidir quem vai dirigir os destinos deste País a partir de Outubro.

Coisa pouca…

Felizmente que o Paços não joga nesse dia, senão, já viram a confusão! Mas joga o Passos!… E o Costa… Dois assumidos adeptos encarnados que normalmente dão o exemplo e votam pela manhã. À hora do início do jogo na Madeira, os jornalistas que, estou certo, acompanharão as duas campanhas, dir-nos-ão que ambos descansam em casa com a família e que deverão chegar aos quartéis-generais logo que… os primeiros resultados sejam conhecidos… Percebe-se bem porquê. (Já agora, se me permitem o clubismo, espero que saiam ambos satisfeitos…).

Na hora em que Jesus estiver aos saltos no banco leonino frente à formação da ‘Cidade Berço’, serão conhecidas as primeiras sondagens: mais ataques, remates, cantos, faltas cometidas, foras de jogo e posse de bola… e gritar-se-á pelo nome do líder enquanto Jesus cruzará os braços, mascará pastilha, deitará cá para fora aquele sorriso matreiro e… mexerá na equipa.

Nos largos, as bandeiras e os cachecóis agitam-se! Os comentadores avançam! Os zero-zero em inúmeras partidas suscitam a conversa sobre esta falta de avançados que grassa no País para nos colocarem no caminho certo, a jogar no campo todo, quer cá, quer na Europa, com transições ofensivas próprias de um Portugal moderno.

A Liga solicitou aos clubes que tomassem as “devidas diligências”, no sentido de permitir o voto aos cidadãos recenseados que integram os clubes. Felizmente que nesses existem poucos portugueses e muitos estrangeiros que não contribuem para a eleição dos nossos políticos, apenas para a alegria dos nossos adeptos.

João Paulo Narciso

*Texto publicado em edição impressa de 11 Setembro