Carlos OliveiraSantarém tem tido uma decadência acentuada na habitação, comércio e serviços, no centro urbano da cidade, sem que ninguém consiga inverter a tendência da sua desertificação.

Vários são os factores que influenciam a situação, e muitas são as opiniões e tentativas para que Santarém volte a ter a vida social, económica e cultural, que tinha antes de Portugal entrar na CEE (1985).

Dir-se-á então que a actual União Europeia foi e é a culpada. Claro que as inevitáveis transformações, já esperadas, foram determinantes para o colapso das estruturas da vida urbana que existia, e também da rural, sofrendo a cidade consequências negativas no seu progresso.

Os serviços foram transferidos para outros locais, os comerciantes fecharam as portas, impotentes para competir com as grandes superfícies, e as pessoas deixaram de habitar o velho e degradado casario, optando pela modernidade habitacional dos edifícios construídos nos bairros periféricos.

A par disto, e sem investimento, a falta de emprego obriga os jovens à emigração.

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Ouve-se comentar: “Isto está um deserto!”

Haverá algum empresário que faça investimentos no deserto?

Apenas gestores de multinacionais interessadas no petróleo.

Mas Santarém não tem petróleo…

Nem camelos!

Assim sendo, só o “cluster” (isto usa-se muito agora) dos cavalos poderá impulsionar a dinâmica da economia local.

Alguém descobriu o que a vizinha Golegã conseguiu fazer com os equídeos.

Vale mais tarde do que nunca!

Vai daí, uma delegação scalabitana foi ao Brasil negociar com o Jockey Clube de São Paulo, um cluster anunciado como negócio de mais de 250 milhões!

Numa perspectiva de promoção do turismo, como fonte de “desenvolvimento sustentável” (isto também se usa muito), o centro da cidade virá a ser animado por cavalos de quatro patas que se passearão pelas ruas, farão compras no comércio tradicional, e sentar-se-ão na esplanada da Bijou a saborear celestes, arrepiados e pampilhos.

Tal como é hábito, os serviços camarários de higiene e limpeza formarão equipas competentes para apanharem as migalhas dos doces conventuais.

Com as potencialidades turísticas da cidade, é preciso captar o interesse de visitantes, e, a médio prazo, fixar populações estimulando a natalidade. É o que felizmente já acontece nas traseiras da casa do Senhor Luís de Camões (ex-Presídio Militar) onde foram instalados bengalows com assistência autárquica gratuita, parque de nudismo, e sanitários ecológicos.

Os moradores das ruas 25 de Abril e Capitão Romeu Neves, ruas que circundam a nova área protegida de turismo rural, contemplam das suas janelas como é bela a vida no campo… dentro da cidade!

Carlos Oliveira

FOTO CRÓNICA DIA 22