Carlos OliveiraO Conservatório de Música de Santarém promove esta sexta-feira pelas 21h30 no Convento de São Francisco um concerto para angariação de verbas, que se destinam à aquisição de instrumentos.

Fico contente por viver mais um excelente momento de Arte num espaço monumental, mas, ao mesmo tempo, fico triste pelo objetivo do mesmo – “esmolar” dinheiro para ensinar música a crianças.

Cada vez mais, as estruturas do ensino artístico entram em colapso por falta de apoios à sua alta missão de formar cidadãos felizes, e capacitados para, profissionalmente, poderem contribuir para uma sociedade mais culta e evoluída na sua identidade coletiva.

Os cortes que o Ministério da Educação (leia-se governo) fez ao financiamento do ensino artístico em Portugal, faz-nos viver num país mais pobre e decadente.

Oliveira Martins disse há pouco tempo no Fórum Actor Mário Viegas que “só uma sociedade que assume a cultura como criação, pode encontrar os meios para superar a crise”. Mas isto é impossível de alguns políticos compreenderem e aceitarem, interessados que estão em terem dois submarinos de alta tecnologia a apodrecerem no Alfeite, em vez de crianças felizes tocando violino.

O Conservatório de Música de Santarém precisa de instrumentos. Claro que é preciso um pincel e tinta para pintar, claro que é preciso um livro para ler, claro que é preciso uma caneta para escrever, claro que é preciso uma escola para aprender, claro que é preciso um piano para se ser pianista, e é claro que ninguém precisa dos dois submarinos para nada. Por isso, apodrecem!

Um governo que encerra o Ministério da Cultura, é um governo sem cultura. É um governo que combate a erudição do povo, porque a considera perigosa. Mantendo o povo ignorante consegue que o povo vote nele.

O Conservatório de Música de Santarém precisa de instrumentos. Quem pode sobreviver sem água? Quem pode viver sem comer?

A Música alimenta o ser humano para a sua felicidade e harmonia.

Os governantes que temos tido estão-se “borrifando” para as Artes, para as coisas do espírito. Interessa-lhes, isso sim, os 23% de IVA que arrecadam (não se sabe onde) pela venda de um instrumento musical, considerado como artigo de luxo!

Mas as notas que soam desafinadas nesta “orquestra” em que vivemos, somos nós que as tocamos quando votamos. Ou melhor, alguns de nós…

Vamos ajudar o Conservatório?

– Claro que sim! Mas também podemos meter a cabeça de alguns políticos dentro de um trombone, e soprar com força. Com muita força!

Carlos Oliveira

*Texto publicado em edição impressa de 9 Outubro