Carlos OliveiraBertino Coelho Martins, o Amigo Bertino, será amanhã homenageado pelo Correio do Ribatejo, passando a figurar na Galeria de Notáveis. Muito justamente!

Conheci-o há muitos anos quando desci a “Rampa dos Ciclistas” (houve tempo em que a tropa andava de bicicleta) para ir assistir a um ensaio do Grupo Académico de Danças Ribatejanas. Era e foi sempre nesse Grupo que ele tocava clarinete, em músicas dançadas por crianças ensaiadas pela D. Graça Maria, com a presença sempre atenta de João Moreira e Celestino Graça.

E com tal perfeição dançavam que logo entendi nunca vir a ser capaz de integrar o “Académico”. O Amigo Bertino ainda me disse várias vezes para eu voltar. Mas não aconteceu.

Escolhi o teatro. Contudo, fiquei grande admirador do Grupo, e sempre assisti com muito agrado às suas apresentações públicas. Quem vê os miúdos a dançar não imagina o trabalho e a grande dedicação de quem os faz dançar tão bem.

E lá estava sempre o Amigo Bertino e a sua esposa D. Maria Ivone, tocando com outros músicos, para nos alegrarem a vida e valorizarem o folclore do Ribatejo.

O movimento das coreografias e o colorido dos trajes era o que eu mais apreciava além das músicas e cantares, que ainda hoje continuo a ouvir com muito agrado.

Uns anos mais tarde, o Amigo Bertino, aquando da sua excelente tarefa de Bibliotecário na Biblioteca Braancamp Freire, teve a gentileza de me oferecer alguns dos livros que publicou, e que me deram o conhecimento de usos e costumes das gentes e das terras do Ribatejo.

Ali estava, em forma escrita, toda a riqueza da cultura do povo que (ainda) somos.

Um dia, pedi-lhe que escrevesse sobre o vinho, para eu fazer teatro no Cartaxo. No dia seguinte já tinha o texto que queria, e, modéstia à parte, o teatro foi um êxito, graças ao “dramaturgo” que me ajudou.

O Amigo Bertino, homem culto e constantemente interessado pelo conhecimento sócio-cultural e histórico, nunca precisou de se pôr em bicos dos pés para ser notado. Aliás, a sua simplicidade, simpatia e disponibilidade para os outros, sempre fizeram dele uma das figuras mais marcantes da atual cidade de Santarém.

Por todos conhecido e respeitado, presta-se-lhe merecido tributo por tudo quanto tem feito, e pelas qualidades de Homem Bom que sempre nos cativa com o seu amistoso e franco sorriso.

Santarém está agradecida!

OBRIGADO SENHOR BERTINO.

Carlos Oliveira