Carlos OliveiraDiz o povo que “vale mais um pássaro na mão que dois a voar”.

Depende. Depende do pássaro que temos na mão e dos que voam.

Se o pássaro que temos na mão for uma ave rara, então valerá mais. Se for um simples pardal de telhado, então o pássaro que temos na mão não valerá tanto como os que voam. O primeiro milho é dos pardais e acabam sempre por perder…

No entanto, há pássaros que voam alto e que nada valem.

São os chamados passarões.

Podemos então dizer que “vale mais um pássaro na mão que dois passarões a voar”. Isto porque os passarões voam alto e passarão, sem ninguém lhes deitar a mão.

Na espécie dos passarões existem os passarões pequenos, que normalmente habitam em gaiolas de alta segurança, e os passarões grandes que costumam cantar de poleiro. Estes, devido à sua colorida penugem e chilrear fino, são muito apreciados e utilizados em valiosas coleções particulares, altamente cotados no mercado ornitológico das plumas-gold.

Mas voltemos à espécie mais comum dos pássaros vulgares, autóctones, que voam baixo, havendo alguns que nem sequer levantam voo. Nidificam em ninhos feitos de lama seca, caindo sempre que tentam voar.

Os pássaros classificam-se em passarinhos e em passarinhas. As passarinhas são muito apreciadas pelos passarões.

Conclui-se então que “vale muito mais uma passarinha na mão…

Portanto, no país dos pássaros, tudo depende.

Depende das asas que se tem, ou não tem, para poder voar.

E é pena. É pena que apenas os passarinhos com penas não voem alto.

Seja como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.

                                                                                                      Victor Hugo

Carlos Oliveira

FOTO CRÓNICA DIA 20